quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Chineses fortalecem parceria com a Agência Espacial Brasileira

AEB
29 de novembro de 2016

Foto: AEB

O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, recebeu na manhã desta terça-feira (29.11) em seu gabinete a visita de uma delegação chinesa da empresa China Satellite Launch and Trackking Control General (CLTC), chefiada pelo senhor Wu Shuangtie. Durante o encontro, os países repassaram a cooperação bilateral na área de TT&C e discutiram o aprofundamento da parceria que futuramente colocará em órbita o satélite Sino-Brasileiro de Observação da Terra – o Cbers- 4A.

O satélite Cbers-4A garantirá fornecimento contínuo de imagens ao Brasil e a China, bem como a outros países. Após 18 anos de parceria completados em 2007, o Brasil passou a ser um dos grandes distribuidores de imagens orbitais do mundo. A previsão é que o satélite seja colocado em órbita em 2018. A construção de mais dois satélites, Cbers 5 e 6, está em discussão no âmbito do Plano Decenal de Cooperação Espacial Brasil-China 2013 – 2022.

O Cbers-4A levará a bordo três câmeras, sendo uma chinesa e duas brasileiras. A câmera Multiespectral e Pancromática de Ampla Varredura (WPM) é desenvolvida pela China para obter imagens com resolução espacial de 2m na banda pancromática e de 8m nas bandas multiespectrais, com largura de faixa imageadora de 92 km.

As câmeras brasileiras serão réplicas da WFI e da MUX que estão a bordo do Cbers-4, lançado em dezembro de 2014. “Equipamentos e peças remanescentes dos Cbers-3 e 4 serão utilizados no Cbers-4A, mas precisamos contratar na indústria partes do satélite com base no projeto dos anteriores”, explica Antônio Carlos Pereira Junior, gerente do projeto Cbers-4A.

Imagens - No Cbers-4A, a câmera WFI terá resolução espacial de 55m, com largura de faixa imageadora de 684 km, enquanto a câmera MUX terá capacidade de prover imagens com resolução espacial de 16m, com largura de faixa imageadora de 95 km.

As imagens obtidas com a MUX a bordo do Cbers-4 já estão disponíveis aos usuários no catálogo on line do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Com o Cbers-4A, o Brasil garante a continuidade do fornecimento de imagens.  para monitorar o meio ambiente, verificar desmatamentos, desastres naturais, a expansão da agricultura e das cidades, entre outras aplicações.

A MUX, primeira câmera para satélite totalmente nacional, é um dos projetos espaciais mais sofisticados realizados no país. Assim como os demais equipamentos, partes e componentes do satélite que couberam ao Brasil na parceria sino-brasileira, a câmera é de responsabilidade do Inpe por meio de contratos com a indústria nacional.

Centro de Alcântara lança 31° foguete na Operação Rio Verde

AEB
30 de novembro de 2016

Foto: AEB

O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) realizou nesta terça-feira (29.11) o lançamento do 31º Foguete de Treinamento. A atividade prevista no cronograma da Operação Rio Verde tem por objetivo testar todos os meios e preparar as equipes envolvidas na campanha de lançamento, iniciada no último dia 20 de novembro em Alcântara, no Maranhão.

O lançamento da tarde desta terça-feira ocorreu com sucesso às 14h02seg, horário local, com duração total de voo de 2min43seg seguindo os parâmetros de trajetória previstos até a queda no oceano Atlântico, em sua área de impacto, a uma distância de 15 quilômetros do local de lançamento.

O foguete atingiu uma altitude máxima (apogeu) de 31,4 km. “O veículo lançado nesta terça-feira apresentou um excelente desempenho, seguindo conforme o perfil de trajetória previsto. A atividade foi de suma importância para treinarmos procedimentos e testar todos os equipamentos associados às operações, e que serão empregados no lançamento do foguete VSB-30 com a carga-útil MICROG2 a partir da próxima semana”, ressaltou o diretor do Centro de Lançamento, Cláudio Olany Alencar de Oliveira.

Operação Rio Verde – O segundo lançamento dessa Operação levará ao espaço, por meio do veículo suborbital VSB-30 V11, oito experimentos de pesquisas da comunidade técnico-científica do país a bordo da carga-útil MICROG2, de forma a permitir a realização de ensaios em ambiente de microgravidade, o rastreio e o resgate no mar, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), utilizando o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Natal (RN) como Estação Remota.

Brasil e China acertam operação do satélite CBERS-4A

INPE
29 de novembro de 2016

Valcir Orlando, chefe do CRC/INPE, cumprimenta Liu Bing, do Departamento de Planejamento do CLTC, após assinarem a minuta da reunião técnica
Técnicos brasileiros e chineses se reuniram no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP), na segunda-feira (28/11), para discutir assuntos relacionados ao Programa CBERS e à cooperação nas atividades de rastreio, telemetria e telecomando para o CBERS-4A, satélite que tem lançamento previsto para 2018. 

Sexto satélite do Programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite), o CBERS-4A garantirá a continuidade do fornecimento de imagens para monitorar o meio ambiente, verificar desmatamentos, desastres naturais, a expansão da agricultura e das cidades, entre outras aplicações. 

Segundo Valcir Orlando, chefe do Centro de Rastreio e Controle de Satélites (CRC) do INPE, os técnicos já se preparam para as ações durante a crítica fase de lançamento e órbitas iniciais do satélite. 

"Discutimos qual seria a participação do INPE na realização das atividades operacionais do satélite durante esta fase, além de detalhes importantes sobre a comunicação de dados na ocasião. Outro ponto importante abordado na reunião foi o modo pelo qual a responsabilidade pelo controle em rotina do CBERS-4A seria compartilhado entre INPE e CLTC (China Satellite Launch and Tracking Control General)", explicou o chefe do CRC/INPE. 

O CLTC é o órgão responsável pelas bases de lançamentos e estações de rastreio chinesas, bem como pelo centro de controle de satélites de Xian. No âmbito da cooperação no Programa CBERS, enquanto o desenvolvimento dos satélites está sob a responsabilidade do INPE junto com a CAST (China Academy of Space Technology), as operações em órbita, a partir do lançamento, são realizadas em parceria com o CLCT. 

Para a reunião, o diretor do INPE Ricardo Galvão recepcionou a delegação chinesa do CLTC coordenada por Wu Shuangtie, consultor do CLTC. Após as discussões, foi assinada a minuta acordando que, em geral, serão consideradas as mesmas soluções adotadas para o CBERS-4, satélite lançado em 2014 e atualmente em operação. 

Pelo INPE, também participaram Maurício Gonçalves Vieira Ferreira e Jun Tominaga, do CRC/INPE, Antonio dos Reis Bueno, do Programa CBERS, e Adriana Cursino Thomé, da Seção de Relações Internacionais. 

Após a reunião técnica, a delegação chinesa visitou o Laboratório de Integração e Testes (LIT) e o Centro de Controle de Satélites (CCS) do INPE. 

Sobre o Programa CBERS: www.cbers.inpe.br 

terça-feira, 29 de novembro de 2016

É oficial: Brasil vai lançar primeira missão à Lua em 2020

Galileu
André Jorge de Oliveira
29 de novembro de 2016



Em apenas quatro anos, o Brasil pode se tornar uma nação com capacidade de planejar e operar missões no espaço profundo. Mais especificamente, um nanossatélite que percorra a distância média de 384,4 mil quilômetros que separam a Terra de seu satélite natural.

É este o plano do projeto Garatéa-L, que será apresentado na noite desta terça-feira (29) na Escola de Engenharia de São Carlos da USP: enviar, pela primeira vez na história, uma sonda brasileira para sobrevoar a órbita lunar. Lá, ela deve coletar dados sobre a superfície e conduzir experimentos científicos pioneiros com micróbios, moléculas e até células humanas.

“A ideia é nos beneficiarmos da recente revolução dos nanossatélites, mais conhecidos como cubesats, para colocar o país no mapa da exploração interplanetária”, afirma em comunicado o engenheiro espacial Lucas Fonseca, que trabalhou na Agência Espacial Europeia e colaborou com a épica missão Rosetta, aquela que em 2014 realizou um inédito pouso suave no cometa 67P.

De volta ao Brasil em 2013, ele abriu a própria consultoria espacial, a Airvantis. Nos últimos anos, uniu esforços com pesquisadores das principais instituições brasileiras de pesquisa para desenhar o projeto batizado de Garatéa-L que, se bem sucedido, colocará o Brasil entre as poucas nações capazes de enviar missões para além da órbita terrestre.

A primeira missão lunar brasileira está sendo desenvolvida em conjunto por cientistas dos principais institutos de pesquisa do país: do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), da USP, do LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron), do Instituto Mauá de Tecnologia e da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul).

Para vencer os desafios pela frente, que não são poucos, e arrecadar os necessários R$ 35 milhões, os pesquisadores já estão correndo atrás de órgãos de fomento à pesquisa e também de patrocinadores da iniciativa privada. “É um modelo novo de missão, com os olhos para o futuro, que pode trazer muitos benefícios para o país”, diz Fonseca.

O fato é que a espaçonave precisa estar pronta para voar até setembro de 2019 – ano simbólico em que o primeiro pouso do homem na Lua completa 50 anos. O nanossatélite pegará carona com um foguete indiano, o PSLV-C11, que já enviou com sucesso uma missão à Lua em 2008.

O lançamento será em parceria com duas empresas britânicas, além das agências espaciais Europeia (ESA) e do Reino Unido. “É uma oportunidade única de trabalhar com os europeus num projeto que pode elevar as ambições do Brasil a um outro patamar”, diz Fonseca. Diversos cubesats além do brasileiro serão transportados à órbita lunar por uma nave, que transmitirá os dados coletados por pelo menos seis meses.

DO TUPI, BUSCA VIDAS

A astrobiologia, área que estuda o surgimento e a evolução da vida no Universo, será um dos principais focos da missão Garatéa-L. O nanossatélite vai carregar experimentos com colônias de microrganismos vivos e moléculas de interesse como o DNA e estruturas de membranas, que serão expostas à radiação cósmica e ao vento solar ao longo dos meses.

Coordenado por Douglas Galante, do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas, e Fábio Rodrigues, do Instituto de Química da USP, em São Paulo, o objetivo do experimento é investigar os efeitos do ambiente espacial interplanetário sobre diferentes formas de vida.

Iniciativas parecidas já foram conduzidas pelo grupo na estratosfera terrestre, através de balões meteorológicos. Ali, os raios ultravioleta do Sol são mais intensos, pois não sofrem a filtragem da camada de ozônio. Ainda assim, nem se comparam com a hostilidade do espaço profundo.

“A busca por vida fora da Terra necessariamente passa por entender como ela pode lidar – e eventualmente sobreviver – a ambientes de muito estresse, como é o caso da órbita lunar”, diz Galante. “O conhecimento obtido com a missão sem dúvida ajudará a compor esse difícil quebra-cabeça.” Os estudos são tão importantes na missão que renderam-lhe o próprio nome: Garatéa, em tupi-guarani, quer dizer “busca vidas”. A letra L faz referência ao destino “Lunar”.

Outro instrumento vai medir os níveis de radiação: pode gerar resultados relevantes para outros países que estão planejando enviar missões tripuladas à Lua. O experimento com amostras de células humanas, coordenado por Thais Russomanno, do Centro de Pesquisa em Microgravidade (MicroG) da PUC-RS, tem o mesmo potencial.

Ele vai verificar os efeitos da radioatividade extrema do espaço profundo, distante do campo magnético terrestre e de seu escudo protetor. É essencial investigar as possíveis consequências daquele ambiente no organismo de astronautas – a presença humana na Lua, em Marte ou em outros destinos do Sistema Solar depende disso.

A Garatéa-L também fará estudos da superfície lunar. A órbita polar da sonda vai permitir a coleta de imagens da região da chamada bacia Aitken, que fica no lado escuro da Lua e, portanto, é de grande interesse para os cientistas.

O diferencial da câmera é que ela abrange diversas regiões do espectro da luz, tecnologia desenvolvida pela equipe do INPE. Como frisa Fonseca, os impactos serão profundos na capacitação de nossa comunidade científica. Mas não para por aí. “Isso sem falar no impacto educacional de inspirar uma nova geração a olhar para o céu e acreditar que nada é realmente impossível, se você tem foco e dedicação.”

INT completa 95 anos com atuação estratégica para o desenvolvimento tecnológico do país

MCTIC
29 de novembro de 2016

Na área de petróleo e gás, o INT atende demandas do setor de exploração e produção, desenvolvimento de inibidores de corrosão e novos aços para uso no pré-sal. Foto: UFSC

Criado para aprimorar processos industriais de aproveitamento de recursos minerais, a meta do Instituto Nacional de Tecnologia é chegar aos 100 anos como referência nacional em pesquisa e desenvolvimento tecnológico para a inovação, afirma o diretor Fernando Rizzo. "Há o compromisso do INT em buscar sempre a excelência e o pioneirismo em suas ações", disse Rizzo, que ressaltou ainda os benefícios para a sociedade.

O Instituto Nacional de Tecnologia (INT), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), completou 95 anos nesta segunda-feira (28) com atuação pioneira voltada para a inovação e o desenvolvimento tecnológico do país. A afirmação é do diretor do INT, Fernando Rizzo. Segundo ele, o instituto foi criado para aprimorar processos industriais de aproveitamento de recursos minerais e combustíveis no Brasil. Os estudos viabilizaram o uso do carvão, xisto, manganês e outras fontes disponíveis no território brasileiro.

"Ainda em sua primeira década, o INT realiza os primeiros ensaios do uso de álcool combustível em veículos, seguidos dos testes das primeiras misturas de álcool na gasolina, que deram base para o governo Vargas, em 1931, tornar obrigatória a adição de 5% de etanol à gasolina", disse ele, lembrando que ainda naquela época foram produzidos os primeiros estudos de uso de óleos vegetais como combustíveis.

No INT também foram realizadas as primeiras reuniões e grupos de trabalho para discutir metrologia, normatização de ensaios de materiais e registro de patentes, que dariam origem à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e ao Instituto Nacional de Pesos e Medidas (INPM), depois transformado em Inmetro.

"Ao longo das décadas, o INT mantém essa atuação estratégica voltada para a inovação e o desenvolvimento tecnológico do país. O instituto contribuiu, por exemplo, para episódios marcantes como a constatação de haver petróleo no Brasil, a partir da análise do óleo encontrado em Lobato, na Bahia, e o desenvolvimento de método internacional de ensaio de concreto. Mais recente, temos o levantamento antropométrico da população brasileira, a validação tecnológica do Proálcool, o suporte ao programa de uso do biodiesel, e o uso pioneiro no Brasil das impressoras 3D para criação de protótipos industriais e outros fins", ressaltou o diretor.

Pesquisas

Fernando Rizzo informou que o INT tem atuação multidisciplinar e realiza pesquisas dentro do programa da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que desenvolvem produtos e processos inovadores de tecnologia química industrial para empresas. "Temos trabalhos muito interessantes no desenvolvimento de produtos de química verde e para o uso de energias renováveis, incluindo etanol de segunda geração e rotas para produção de hidrogênio."

Na área de petróleo e gás, o diretor destacou que o instituto atende demandas do setor de exploração e produção, desenvolvimento de inibidores de corrosão e novos aços para uso no pré-sal. Já em biocombustíveis, possui diferentes ações de desenvolvimento tecnológico, tendo participação ativa no Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel.

"Os benefícios para a sociedade são muitos, desde uma inovação capaz de aprimorar o processo produtivo de uma empresa até o desenvolvimento ou aprimoramento de produtos e processos estratégicos para o país. Temos também uma vertente social, composta pelo desenvolvimento de tecnologias assistivas, que servem diretamente a pessoas com necessidades especiais ou como possibilidade de geração de emprego e renda", destacou.

Perspectivas

Hoje, o INT conta com a colaboração de 622 pessoas, entre servidores, equipes de pesquisa, bolsistas e prestadores de serviços. Para Fernando Rizzo, os desafios são grandes, como a recomposição da equipe, que foi reduzida com a aposentadoria de vários servidores, e a negociação de um novo espaço para a expansão do instituto. "Também há o compromisso do INT em buscar sempre a excelência e o pioneirismo em suas ações. Buscamos enxergar além e globalmente, pois a inovação exige integração entre diversos atores, como governo, empresas e universidades, para potencializarmos esforços na mesma direção."

Frente ao cenário de redução de investimentos do país, o INT tem buscado a internacionalização da pesquisa. "Um dos caminhos é a interação com outras instituições de pesquisa do exterior que possam trocar conhecimento em áreas de pesquisas com potencial para avançamos. A meta estabelecida em nossa visão de futuro é que cheguemos aos 100 anos reconhecidos como referência nacional em pesquisa e desenvolvimento tecnológico para a inovação", concluiu o diretor.

Comemorações

Para marcar os 95 anos do INT, será realizado, no dia 5 de dezembro, o Seminário INT no Futuro, com especialistas convidados para discussão do papel dos institutos de pesquisa no contexto atual.

MCTIC quer saber a opinião dos pesquisadores brasileiros sobre os entraves à inovação

MCTIC
28 de novembro de 2016

Levantamento será feito com pesquisadores de 40 instituições de ensino do país. Foto: CNPEM

Cientistas de 40 instituições federais serão convidados a responder um questionário sobre a transformação das pesquisas desenvolvidas na academia em produtos e serviços. "Para o MCTIC, é fundamental contribuir para a desburocratização da pesquisa científica. Temos que pensar soluções para destravar os procedimentos de pesquisa", avalia o diretor da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento, Sávio Raader.

Uma pesquisa aplicada em cerca de 40 instituições federais de ensino e pesquisa vai revelar o que os cientistas do país pensam sobre a burocracia. O objetivo é mostrar a percepção do pesquisador brasileiro sobre os entraves à inovação e à parceria entre a universidade e a empresa. Os questionários foram entregues aos representantes de fundações de 22 estados na última quinta-feira (24), durante o encerramento do 34º Encontro Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica (Confies 2016), em Belo Horizonte (MG).

"Foram entregues cerca de 400 questionários que serão distribuídos a diversos pesquisadores em universidades e instituições de pesquisa federais do país. A partir do dia 12 de dezembro todas essas respostas irão voltar para o Confies e vamos poder fazer um levantamento da percepção do pesquisador brasileiro", afirmou o vice-presidente do Confies, Fernando Peregrino.

De acordo com o conselho, indicadores internacionais colocam o Brasil numa condição ruim na inovação e na relação entre a pesquisa e a sua transformação em bens e serviços. Peregrino ressaltou que é preciso acelerar o processo de inovação a partir das pesquisas realizadas nas universidades e instituições de pesquisa, "dado que tais entidades são responsáveis por mais de 90% da produção científica e tecnológica".

O levantamento é uma parceria do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Confies, Sebrae e Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

"Para o MCTIC, é fundamental contribuir para a desburocratização da pesquisa científica. É um desafio agilizar, tornar mais rápido esse processo e viabilizar a pesquisa. Os pontos mais relevantes da burocracia devem ser atacados pelo ministério e pelo governo. Temos que pensar soluções para destravar os procedimentos de pesquisa. Esse levantamento vai fazer uma análise importante para orientar políticas e programas relacionados à pesquisa pública no país", afirmou o diretor de Políticas e Programas de Ciências da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped/MCTIC), Sávio Raader.

GEOINFO reúne pesquisadores em Campos do Jordão

INPE
28 de novembro de 2016



Até 30 de novembro, Campos do Jordão (SP) sedia o GEOINFO 2016 – 17° Simpósio Brasileiro de Geoinformática. Promovido todos os anos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o evento é conhecido por reunir os principais pesquisadores na área de geoinformação e bancos de dados espaciais.

O GEOINFO iniciou neste domingo (27/11) com a realização de um curso sobre o TerraHidro, uma plataforma computacional desenvolvida pelo INPE para executar aplicações relacionadas a modelos hidrológicos. Durante todo o evento serão realizadas sessões técnicas e palestras sobre pesquisas e aplicações inovadoras em geoinformática para as mais diversas áreas. Confira aqui a programação.

Além de promover a troca de experiências entre pesquisadores, o GEOINFO é uma oportunidade para que os autores dos trabalhos expostos encontrem possíveis parceiros e colaboradores, estabelecendo a cooperação entre instituições.

Mais informações: www.geoinfo.info

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Startups precisam de políticas de Estado para serem globais

Agência CT&I
Leandro Cipriano
28 de novembro de 2016

Para especialistas, Brasil faz apenas políticas de governo, que não atendem as startups a longo prazo - Foto: Reprodução/internet

A sanção da Lei Complementar nº 155/2016, mais conhecida como Crescer sem Medo, trouxe maior segurança jurídica ao investidor de startups. Com a norma, é esperado dar um novo fôlego para a economia criativa e ao ecossistema das empresas nascentes de base tecnológica. A legislação qualifica a figura do investidor-anjo, distinguindo-o do sócio regular, ou seja, aquele que participa da gestão direta da empresa.

Especialistas do setor apoiaram a regulamentação da figura do investidor-anjo e cobram mais políticas de Estado para o universo das startups. Durante o evento “Sextas da Inovação”, promovido pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) nesta sexta-feira (25), o coordenador de Apoio à Pesquisa, Desenvolvimento e Aplicações do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Alexandre Mota, ressaltou que apesar das tentativas, o auxílio dado pelo governo às startups ainda é muito incipiente.

“Na minha visão há limitações. São muitas iniciativas, todas desvinculadas, pulverizadas, sem poder juntar tudo e fazer uma política de Estado”, apontou Mota. “O edital do Start-Up Brasil paga R$ 200 mil por empresa. Isso não resolve o problema. Por isso muitas empresas fazem captação internacional. Ou seja, estamos pegando o que tem de bom aqui e dando para o capital internacional”, ressaltou.

Segundo Mota, boa parte das aceleradoras de empresas que movimentam o mercado de startups do Brasil têm, de alguma forma, capital internacional. Ele explica que os produtos, tecnologias e projetos desenvolvidos pelos talentos nacionais são mandados para o exterior. “Nisso, pagamos royalties de um produto que a gente mesmo fez. O Brasil tem que ter mais juízo com o que está gastando”, ponderou o coordenador do CNPq.

Em se tratando de custos, o período de arrocho fiscal no País tem contribuído apenas para agravar o cenário. “Desde 2014 não temos editais para o Start-Up Brasil. E a próxima chamada virá com redução dos valores disponíveis por causa das irregularidades de repasses e programas, que acabam sendo de governo e não de Estado. Tudo indica que 2017 não será muito melhor que este ano.”

Exemplos no exterior

Para o presidente da Associação de Startups e Empreendedores Digitais (Asteps), Hugo Giallanza, o Brasil precisa mirar em exemplos de incentivos a startups realizados no exterior. “Na Inglaterra, os empresários estão tendo isenção do imposto de renda para investir nas startups. A Índia tem US$ 4,5 bilhões para investir em startups hoje. Penso que a gente precisa estimular esse tipo de iniciativa. Estamos sendo invadidos por produtos internacionais”, alertou.

Apesar de apoiar inovações como a Uber e o Airbnb, Giallanza acredita que a invasão de tecnologias internacionais está ocorrendo por falta de incentivos nacionais necessários para produzir inovações verde e amarelas. “A percepção é que a gente está sendo recolonizado. Precisamos colonizar, desenvolver startups que sejam globais e capazes de trazer coisas para cá. Mas existe tanto engessamento, principalmente burocráticos, que é mais fácil os nossos talentos irem para fora.”

Giallanza também destacou a política que foi implementada recentemente pelo governo de Barack Obama. “Ele vai dar visto americano para as pessoas que têm startup. O Vale do Silício é o que conhecemos por causa do visto concedido pelo governo. Lá tem gente do mundo inteiro, não foi o norte-americano que criou aquilo tudo sozinho, e sim a política de captação de mentes inteligentes para aquela região”.

No caso do Brasil, que passa por um período de ajuste fiscal, o presidente da Asteps aposta em ações de prospecção de investimentos que sejam mais ativas. “Por exemplo, trazer as pessoas para conhecer os parques tecnológicos brasileiros para se instalar aqui. Ou melhor, fomentar que os empreendedores brasileiros invistam nesse tipo de negócio. O governo estava com um trabalho fantástico com o Start-Up Brasil, mas com a redução de recursos, hoje não temos o melhor programa de fomento ao setor. Estamos desamparados nesse sentido”, concluiu.

Especialistas alertam para a necessidade de mais investimentos em inovação no Brasil

MCTIC
25 de novembro de 2016

O coordenador de Apoio à Pesquisa, Desenvolvimento e Aplicações do CNPq, Alexandre Motta, participou do projeto Sextas da Inovação do Ibict. Foto: MCTIC
No projeto Sextas da Inovação, promovido pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), o coordenador do CNPq destacou que o país investe apenas 0,55% do PIB em pesquisa, desenvolvimento e inovação enquanto as demais nações emergentes destinam até 2,5%. Para o presidente da Associação de Startups e Empreendedores Digitais, fomento público é essencial, mas startups não podem ficar dependentes desse recurso.

O fomento à inovação no Brasil está abaixo da média mundial e precisa ser ampliado, apontaram especialistas durante mais uma edição do projeto Sextas da Inovação, promovido pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). 

Durante o encontro, o coordenador de Apoio à Pesquisa, Desenvolvimento e Aplicações do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Alexandre Motta, destacou que o volume de investimentos no Brasil varia de 0,3% a 0,55% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto em outros países emergentes fica entre 1% e 2,5%. Já nos países desenvolvidos, o investimento em pesquisa e inovação alcança 2% do PIB.

O coordenador do CNPq também mostrou os resultados dos programas CI-Brasil e Startup Brasil, que dão apoio a empresas na área de inovação tecnológica. Segundo ele, o Startup Brasil, criado em 2013, atua em parceria com empresas privadas, as aceleradoras. Para Motta, isso mudou completamente o viés do programa e ajudou no sucesso das startups selecionadas. Até hoje, o programa já apoiou 183 startups, sendo que 135 ainda estão funcionando.
Alexandre Motta defendeu que o Brasil precisa de pesquisadores com perfil de empresários. "Hoje, 50% do fomento público para pesquisa e desenvolvimento é para a área de humanas. O Brasil precisa desenvolver engenharia."

O presidente da Associação de Startups e Empreendedores Digitais (Asteps), Hugo Giallanza, também ressaltou o papel das incubadoras e aceleradoras para a sobrevivência das startups. Segundo ele, o índice de mortalidade dessas empresas é alto – de cada 100 apenas 1 sobrevive. As incubadoras, na avaliação dele, ajudam os novos empreendedores a entender e a inserir seus produtos no mercado.

Giallanza ponderou ainda que o fomento público é essencial, mas as startups não podem ficar dependentes desse recurso. "Tem de começar com dinheiro próprio e tentar sobreviver e validar o negócio, para depois ir em busca de apoio. A maior riqueza das startups são as pessoas."

Previsão climática para o verão indica situação alarmante na região Nordeste

MCTIC
25 de novembro de 2016

Chuvas na região Nordeste deverão ficar abaixo da média histórica no período de dezembro de 2016 a fevereiro de 2017. Foto: divulgação/internet

Região terá chuvas abaixo da média histórica entre dezembro e fevereiro, informam meteorologistas do MCTIC. Sudeste depende de chuvas acima da média para normalizar reservatórios de água.

As chuvas na região Nordeste deverão ficar abaixo da média histórica no período de dezembro a fevereiro de 2017. Já no Sudeste e Centro-Oeste do país, mesmo com o início da estação chuvosa, os reservatórios somente irão retornar ao nível normal com a ocorrência de chuvas acima da média. Os dados estão na Previsão Climática Sazonal do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) divulgada nesta sexta-feira (25).

"As projeções são alarmantes, mas piores para o Nordeste. A tendência é de chuvas abaixo da média histórica para o trimestre", afirma a pesquisadora Renata Tedeschi, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe).

"A seca prolongada castiga o Nordeste desde 2010, ficou mais acentuada em 2012 e agora temos uma previsão abaixo do esperado. Isso ocorre, em parte, porque o La Niña não está bem configurado ainda. A projeção é de La Niña de curta duração e fraca intensidade. Se fosse de alta intensidade as chuvas aumentariam no Nordeste. Então, o que comanda o clima no Nordeste é o Atlântico Norte, que está aquecido", explica.

Segundo a pesquisadora, se as chuvas no Sudeste continuarem dentro da média, os reservatórios não irão voltar aos níveis normais. "O reservatório de Três Marias, por exemplo, só vai retornar à vazão normal se chover 25% acima da média histórica. Se a precipitação ficar dentro da média normal para o período, o nível continuará baixo, mas de modo geral, a previsão climática para dezembro, janeiro e fevereiro para as duas regiões apresenta baixa previsibilidade. O ideal é acompanhar as previsões", diz.

No Norte do país, a previsão aponta para a ocorrência de chuvas dentro do normal para o período com probabilidade de aumento acima da média. Na região Sul, se houver alteração da precipitação, deverá ser abaixo da média histórica. "No entanto, tudo indica que no Sul deve ficar dentro da média climatológica", afirma Tedeschi.

Em todo o país as temperaturas deverão manter-se dentro do normal para o trimestre.

A previsão é elaborada pelo Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal (GTPCS) que tem a participação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), além do Inpe.

Acesse o relatório.