quinta-feira, 22 de junho de 2017

Bolsas de pesquisadores não devem ter reajuste até 2019, avalia Capes

Agência ABIPTI
21 de junho de 2017

Na audiência pública foi confirmado que pelo menos até 2018 não há chance de modificar os valores atuais das bolsas - Foto: Billy Boss/ Câmara dos Deputados

Pesquisadores alertaram nesta terça-feira (20), em audiência pública na Comissão de Educação (CE) da Câmara dos Deputados, que sem reajuste em bolsas de mestrado e doutorado, o futuro da ciência brasileira estará comprometido. No debate, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) admitiu que, pelo menos até o próximo ano, não há perspectiva de aumento dos valores.

Uma proposta (PL 4559/16) em debate na comissão estabelece um reajuste para bolsas de pesquisa e pós-graduação sempre em janeiro de cada ano, pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculada com base nos doze meses anteriores. As bolsas estão sem aumento desde abril de 2013: são R$ 400 para alunos de iniciação científica; R$ 1.500 para mestrado; e R$ 2.200 para doutorado.

O presidente substituto da Capes, Geraldo Nunes, já fez duas propostas ao governo federal para reajustar as bolsas, sem sucesso. Na sua avaliação, pelo menos até o ano que vem, não há chance de modificar os valores atuais. "A gente vem negociando a aprovação do PL 4559 ao longo de 2018, talvez [o reajuste saia] em 2019."

O secretário-geral da Associação Nacional de Pós-Graduandos, Gabriel Nascimento, deu um exemplo de como os gastos aumentaram desde o último reajuste das bolsas. "Se eu pagasse um aluguel de R$ 500 reais em 2012, e tomasse o IGPM [Índice Geral de Preços do Mercado] como medida, agora eu estaria pagando um aluguel de R$ 672 pra cima”, afirmou.

Representante dos pesquisadores em educação, Andrea Gouveia disse que, devido aos baixos valores das bolsas de estudo, futuros cientistas estão trocando a carreira acadêmica pelo mercado de trabalho. "Eu estou perdendo o jovem que se sujeita a um estágio mal remunerado, mas que garante um salário mínimo. Esse sujeito poderia integrar um grupo de pesquisa, fazendo sua graduação com excelência", avaliou.

Os órgãos de incentivo à pesquisa – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Capes – reconhecem que a situação dos pós-graduandos é difícil. Segundo seus representantes, houve uma expansão no número de bolsas nos últimos anos, sem aumento equivalente nos orçamentos. A Capes tem hoje 121 mil bolsistas de mestrado e 102 mil de doutorado. No CNPq, são 26 mil bolsas de iniciação científica, nove mil de mestrado e oito mil de doutorado. No total, são bolsistas pelo menos 266 mil estudantes no país.

O deputado Lobbe Netto (PSDB-SP), autor da proposta que prevê o reajuste anual das bolsas, ainda aposta em uma negociação com o Poder Executivo para mostrar que aumentar o dinheiro para a pesquisa não é despesa, mas investimento. "Um investimento na ciência, na tecnologia, na iniciação científica; pois, apesar da crise, nós temos que preparar o país para a pós-crise, para que nós possamos competir globalmente."

(Agência ABIPTI, com informações da Agência Câmara)

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Novo satélite de comunicações

Revista Fapesp
20 de junho de 2017

Guiana Francesa: fase final de preparação para ser acoplado ao foguete Ariane - Foto: ESA-Cnes-Arianespace

Um novo satélite de comunicações para o Brasil foi lançado ao espaço em 4 de maio do Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa. Além de conferir maior autonomia à comunicação civil e à militar no país, o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) também deverá trazer ganhos relevantes para a indústria aeroespacial brasileira porque o contrato de aquisição com a fabricante franco-italiana Thales Alenia Space previu a transferência de tecnologias para empresas brasileiras do setor. 

O SGDC deve levar o sinal de internet a todos os municípios brasileiros e será a espinha dorsal do sistema de comunicações das Forças Armadas. Atualmente, os satélites utilizados pelo Brasil, tanto na comunicação civil quanto militar, são gerenciados por estações terrestres localizadas fora do país ou controladas por empresas com capital estrangeiro. 

“Nos dois casos, o país fica vulnerável, porque há risco de o sigilo das informações ser violado e de o serviço ser interrompido em uma situação de conflito de interesse, levando parte das telecomunicações ao colapso”, comenta Eduardo Bonini, presidente da Visiona Tecnologia Espacial, de São José dos Campos (SP), empresa coordenadora do projeto.

Fruto de uma parceria entre o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e o Ministério da Defesa, o projeto do SGDC custou R$ 2,1 bilhões. O satélite será operado pela Telebras e terá duas faixas de frequência. A chamada banda Ka, correspondente a 70% de sua capacidade, será usada para ampliar a oferta de banda larga no país, atendendo o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), que prevê levar internet de qualidade para regiões mais carentes em infraestrutura e tecnologia. Já a banda X, com os 30% restantes, será de uso militar.

Com 5,8 toneladas e 7 metros de altura, o artefato está em órbita a 36 mil quilômetros da superfície terrestre. O funcionamento pleno do SGDC deve acontecer em seis meses depois do lançamento, período em que ele passa por ajustes técnicos e se posiciona no local exato para cobrir todo o território nacional e parte do oceano Atlântico. A vida útil do aparelho é estimada em 18 anos. Seu desenvolvimento teve início em novembro de 2013, quando a Telebras contratou a Visiona para coordenar o projeto. A companhia, uma joint-venture entre a Embraer e a própria Telebras, havia sido criada um ano antes com foco na integração de sistemas espaciais.


“Como naquela época o Brasil não possuía empresas com domínio tecnológico para projetar e construir um satélite do porte e com as especificações do SGDC, procuramos um fornecedor internacional entre as grandes companhias globais do setor”, conta Bonini. Ao fim de um processo seletivo que durou um ano, a franco-italiana Thales Alenia Space foi escolhida como fornecedora do artefato. 

A responsabilidade por colocar o satélite em órbita ficou a cargo da Arianespace, multinacional francesa que opera os foguetes Ariane a partir da base de lançamentos de Kourou, na Guiana Francesa.

Transferência de tecnologia

Um aspecto relevante do contrato firmado entre a Visiona e a Thales é uma cláusula que obriga a fabricante francesa a repassar tecnologias embarcadas no satélite a empresas e órgãos brasileiros. A Thales, pelo contrato, repassou uma lista de tecnologias espaciais acordada durante a fase de seleção. Em complemento à transferência de tecnologia, também foi formulado um Plano de Absorção de Tecnologia Espacial (PAT), coordenado pela Agência Espacial Brasileira (AEB), com a participação da Visiona, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Ministério da Defesa, MCTIC e Telebras. 

Foram enviados 51 engenheiros brasileiros funcionários dessas instituições à Thales, em Cannes e Toulouse, na França. Eles participaram durante três anos do desenvolvimento do satélite, desde as fases de projeto e engenharia até a construção do equipamento e sua integração ao foguete Ariane V.

Os engenheiros fizeram simulações de manutenção de órbita e atitude (posição do satélite em relação à Terra), montagem, integração e testes de módulos e de várias partes do engenho espacial, além da construção de subsistemas. Segundo Bonini, essa cooperação permitiu que os engenheiros brasileiros aprendessem a desenvolver o software de controle de atitude orbital, que, para ele, é o maior obstáculo na construção de satélites no Brasil. 

“Esse programa garantiu que os engenheiros participassem do desenvolvimento do SGDC, trabalhando lado a lado com técnicos e líderes da Thales em todas as fases do projeto”, conta Petrônio Noronha de Souza, diretor de Políticas Espaciais e Investimentos Estratégicos da AEB.

Iniciado em 2014, o PAT também capacitou os profissionais da Telebras e os militares que irão trabalhar nas estações de controle do satélite, situadas na Base Aérea de Brasília e em uma área da Marinha na Ilha do Governador, na capital fluminense. 

Segundo Souza, com a experiência adquirida durante a construção do satélite, os engenheiros também estarão aptos a atuar em futuros projetos espaciais civis ou militares, entre eles aqueles que integram o Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) e o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (Pese), que preveem a construção de outros satélites no país com participação de empresas nacionais.

Além da qualificação de recursos humanos via PAT, o contrato do SGDC contemplou um Acordo de Transferência de Tecnologia Espacial (ToT) firmado entre a Thales e a Agência Espacial Brasileira (AEB). O documento previu o repasse de cerca de 20 tecnologias críticas de satélites da empresa francesa para fabricantes nacionais, entre elas softwares do sistema de controle de atitude, componentes do sistema de propulsão e sistemas eletrônicos diversos. Em janeiro de 2015, a AEB divulgou o resultado de uma chamada pública com o nome das cinco primeiras empresas participantes do programa – uma do Rio Grande do Sul e quatro de São Paulo.

Conhecimento integrado

A Fibraforte Engenharia, de São José dos Campos, foi selecionada para receber capacitação técnica voltada ao domínio do ciclo de desenvolvimento do sistema de propulsão monopropelente (que usa apenas um combustível) para pequenos satélites, ao passo que a Orbital Engenharia, da mesma cidade, irá absorver tecnologias aplicáveis à construção de sistemas de potência e geradores solares para satélites. Já a AEL Sistema, com sede em Porto Alegre, recebeu o projeto de transferência de tecnologia de dois tipos de circuitos integrados para aplicações embarcadas em satélites.

Na Thales Alenia Space, na França, o SGDC entra em uma câmara de vácuo térmico que simula o ambiente espacial -
Foto: ESA-Cnes-Arianespace

Instalada no Parque Tecnológico Univap, em São José dos Campos (SP), a Equatorial Sistemas foi designada para receber tecnologias de controle térmico para satélites, e a Cenic Engenharia, também de São José dos Campos, ficou encarregada do desenvolvimento de estruturas mecânicas à base de fibra de carbono para cargas úteis de observação da Terra, como câmeras ópticas.

“As cinco empresas estão cumprindo um plano de trabalho e recebendo assistência periódica da Thales. Temos a intenção de fazer uma nova chamada e selecionar mais empresas para participar do programa. Pelo acordo com a Thales, podemos implementar a transferência de tecnologia em até dois anos após o lançamento do satélite, o que já estamos fazendo”, explica Petrônio Souza, da AEB. Segundo ele, um próximo satélite de comunicação brasileiro já deverá contar com equipamentos desenvolvidos por empresas nacionais.

“A curto e médio prazo não seremos capazes de fazer um satélite com esse grau de complexidade, mas poderemos implementar vários conteúdos nacionais”, analisa. Bonini, da Visiona, anunciou que a empresa já faz testes em um sistema de controle de atitude e órbita totalmente feito no Brasil. Se der certo, poderá ser utilizado em futuros satélites brasileiros.



Os painéis solares abertos - Foto: ESA-Cnes-Arianespace
Com o SGDC, o Brasil regressa ao reduzido grupo de países cujos governos contam com seu próprio satélite geoestacionário de comunicações, que se encontra sempre em um mesmo ponto fixo no espaço, sobre a linha do Equador a uma altitude de 35.786 quilômetros, e gira na mesma velocidade da Terra.

Em 1985, o Brasil entrou nesse grupo por meio do Brasilsat A1 lançado pela Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel). “A Embratel, na condição de empresa estatal, foi pioneira ao lançar, em 1985, o primeiro satélite geoestacionário de comunicações do país, o Brasilsat A1, de uso essencialmente civil. Nove anos depois, ainda como empresa governamental, colocou em operação o Brasilsat B1, primeiro satélite geoestacionário brasileiro de uso civil e também militar, desativado em 2010”, conta Lincoln Oliveira, diretor-geral da Embratel Star One, nome atual da empresa privatizada em 1998. Na sequência vieram o B3 e o B4, esse último já na fase que o governo havia decidido privatizar as telecomunicações do país.

Além do SGDC, o Brasil utiliza cerca de 45 satélites de comunicação, todos eles pertencentes a companhias privadas, como Globalstar, Iridium e Embratel Star One, detentora da maior frota de satélites do Brasil e da América Latina. Hoje, a Embratel Star One é uma multinacional, pertencente ao grupo mexicano America Movil, que também é dono da operadora de telefonia celular Claro e controla no país nove satélites, entre eles os Star One C1 e C2, usados pelas Forças Armadas brasileiras.

Sensoriamento remoto
Montagem do satélite de 7 metros de altura envolveu, além dos técnicos franceses, 51 engenheiros brasileiros
Foto: ESA-Cnes-Arianespace

A integração de todos os componentes do SGDC é o principal projeto da Visiona, que tem em seu quadro de funcionários cerca de 30 engenheiros, quase todos com mestrado, doutorado e com passagem pelo Plano de Absorção de Tecnologia Espacial. “Muitos de nossos profissionais trabalharam anos no Inpe e têm vasta experiência”, afirma Bonini. Segundo ele, ao participar como coordenadora do programa do SGDC, a empresa pôde se estruturar para outros desafios. “Temos condições de construir satélites menores, de 100 quilos, de órbita baixa, entre 600 e mil quilômetros, para aplicações de sensoriamento remoto, meteorologia, observação e coleta de dados”, diz o presidente
da Visiona.

Enquanto a demanda por novos dispositivos não vem, a empresa aposta em uma outra área de negócio: o desenvolvimento de projetos de sensoriamento remoto no Brasil e em países vizinhos em áreas como defesa, proteção ambiental, prevenção de desastres naturais, energia e planejamento territorial. A empresa faturou com esse serviço R$ 8,5 milhões em 2016 e conquistou projetos relevantes com o Inpe, no combate ao desmatamento da Amazônia, e com a Petrobras, no monitoramento ambiental da Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. 

Para isso, a Visiona, que não é proprietária de satélites, firmou acordos de compra de imagens com alguns dos principais operadores de satélites de observação da Terra, entre eles Airbus, DigitalGlobe, Restec e SI Imaging Services. No total, ela terá acesso a uma rede de cerca de 28 satélites. “Essas parcerias nos permitem desenvolver soluções integradas na área de sensoriamento remoto”, avalia Bonini.

Ricardo Barros vai fechar a Fiocruz?

Conversa Afiada
Paulo Henrique Amorim
20 de junho de 2017



PHA: O deputado federal Jorge Solla (PT-BA) apresentou à Procuradoria Geral da República e ao Tribunal de Contas da União uma denúncia contra o Ministro da Saúde, Ricardo Barros, pela compra ilegal de medicamentos junto à Blau Farmacêutica, em detrimento da Fundação Oswaldo Cruz. Deputado, por que essa denúncia?

Jorge Solla: Nós temos alguns medicamentos que a partir do Governo Lula passaram a ser alvo de uma política de incorporação de tecnologia e de produção local. O primeiro deles foi a chamada Alfaepoetina, um medicamento usado em determinados casos de anemia. E a transferência de tecnologia veio a partir do laboratório cubano para a fundação Oswaldo Cruz. 

A Fundação Oswaldo Cruz é parte do Ministério da Saúde. Para nossa surpresa, o atual Governo tomou a decisão de, em vez de utilizar a produção feita pela Fiocruz, fazer uma compra no mercado privado. Tentaram fazer uma licitação, o Tribunal de Contas derrubou a licitação - e a sensação de impunidade é tão grande que mesmo assim fizeram a compra emergencial, alegando dispensa de licitação, alegando, veja só, Paulo Henrique, desabastecimento! 

O pessoal da Fiocruz disse que tinha 4 milhões de frascos em estoque. Eu fui lá pessoalmente verificar. Documentamos, fotografamos... Foram comprados 3,9 milhões de frascos de um medicamento que tem no estoque do ministério (4 milhões de frascos, suficientes para quatro ou cinco meses de abastecimento para todo o país!). 

Isso aconteceu também com a Ribavirina, que é um outro medicamento produzido pela Fiocruz. Então, está claro que há um interesse do Governo Golpista de destruir a política de incorporação tecnológica, a política de desenvolvimento produtivo, que é tão importante para melhorar nossa balança comercial e ampliar o acesso da população brasileira a vacinas e medicamentos - e, obviamente, beneficiar interesses, porque, não por acaso, é o mesmo laboratório privado que está ganhando todas as compras emergenciais do Ministério da Saúde: a Blau Farmacêutica.

PHA: Mas, deputado, vamos nos deter por um instante no caso da Alfaepoetina: quanto o Ricardo Barros gastou para comprar esses 4 milhões de doses da Alfaepoetina?

J.S.: Olha, eu não estou com esse número aqui agora, mas a Ribavirina, o outro medicamento denunciado, saiu ao custo de 17 centavos a unidade. Eles compraram a R$ 5,19, ou seja, 3000% a mais do que o custo de produção dentro do laboratório da Fiocruz. Insisto: é do próprio Ministério da Saúde!

PHA: O que é a Ribavirina? Serve para quê?

J.S.: É um medicamento utilizado no conjunto do tratamento de hepatite. É um dos medicamentos alvos de transferência de tecnologia e, neste caso, o desabastecimento ocorreu, só que ocorreu programado. Porque eles deixaram de fazer as ordens de produção durante todo o ano passado - desde que o Governo Golpista assumiu - e, quando o estoque acabou, o Governo foi fazer uma compra emergencial. E quem ganhou a compra emergencial? A Blau Farmacêutica.

PHA: Quem é essa Blau Farmacêutica?

J.S.: É um laboratório privado... eu não conheço os seus proprietários. E, coincidentemente, já tem pelo menos quatro compras emergenciais que o Ministério da Saúde fez.

PHA: Em algum momento o Ministro Ricardo Barros entrou em contato com a Fiocruz, com esse complexo Bio-Manguinhos, no Rio, para pedir uma redução de custos ou insistir no abastecimento desse produto, a Ribavirina, que estava provisoriamente sem estoque?

J.S.: Olha, no caso da Ribavirina, como eu falei, o desabastecimento foi programado, mas no caso da Alfaepoetina não existiu desabastecimento. Os fracos estão lá - inclusive, é um negócio criminoso, porque os 4 milhões de frascos que estão lá vão perder validade no meio do ano que vem. 

Terça-feira da semana passada, foi feita uma audiência pública no Ministério da Saúde para preparar uma licitação para comprar 15 milhões de frascos, ou seja, o Ministério da Saúde está dizendo que não vai usar os 4 milhões de frascos que estão lá. E mais: esse trabalho que o Ministério da Saúde começou no início do Governo Lula, em 2003, tinha uma política de conteúdo nacional, da mesma forma que foi feito na Petrobras e em outros setores da Economia brasileira, em que se passou a procurar incorporar tecnologia, desenvolver Ciência e Tecnologia, investir na formação de recursos humanos e na incorporação tecnológica no nosso país... na Saúde, isso também começou. 

O então ministro, Humberto Costa, assinou um primeiro protocolo da transferência de tecnologia que foi desse medicamento, chamado aqui na Fiocruz de Alfaepoetina. A fábrica do princípio ativo, que foi inaugurada pelo Ministro Ricardo Barros no final do ano passado (ou seja, ele não pode dizer que desconhece, porque foi lá, viu e inaugurou a fábrica), é a última fase da transferência de tecnologia, está em plena operação. É a maior fábrica de medicamentos biológicos da América Latina! É um investimento de mais de R$ 500 milhões, em prédio, equipamentos, capacitação de recursos humanos... 

E, se fizerem essa compra de 15 milhões de frascos, vão destruir esse projeto, porque a fábrica vai ficar parada! O primeiro medicamento de que a fábrica vai produzir o princípio ativo - a chamada IFA - é exatamente a Alfaepoetina. E não vão ter como produzir, porque o Ministério da Saúde não está investindo mais na produção própria da Alfaepoetina, para poder comprar no mercado privado. Além de perder 4 milhões de frascos, a fábrica atual permite uma produção de 140 mil frascos por dia... vai jogar por terra um investimento de mais de R$ 500 milhões na maior e mais moderna fábrica de medicamentos biológicos da América Latina.


PHA: O senhor acredita que o objetivo do Ministro Ricardo Barros é fechar o complexo de Bio-Manguinhos?

J.S.: Se não é, ele está caminhando para isso. E não é diferente do que está acontecendo com a Hemobrás. Você se lembra de que foi feito investimento também para a produção de hemoderivados, que são medicamentos produzidos a partir de componentes do sangue humano. A fábrica da Hemobrás, segundo informações que nós já coletamos dentro do Ministério da Saúde, está ameaçada. O Ministro Ricardo Barros está fazendo um consórcio com a Tecpar, do Paraná, uma empresa privada, para passarem a ser fornecedores dos hemocomponentes. Isso significa que o investimento feito em Pernambuco na fábrica da Hemobrás irá para o lixo, assim como irá o feito em Bio-Manguinhos, no Rio de Janeiro, se essa política for preservada, se os órgãos de controle não tomarem nenhuma providência. 

Eu fico impressionado com essa sensação de que eles são impunes, porque tentaram uma licitação, o Tribunal de Contas não aceitou e fizeram a compra emergencial direta! E mesmo depois da denúncia que fizemos eles vão soltar um edital para fazer uma licitação para 15 milhões de frascos! E essa licitação adivinha quem vai ganhar? Eu antecipo: quem vai ganhar é a Blau Farmacêutica. Porque esse edital que o TCU barrou foi justamente porque a única empresa que atendeu às exigências que o edital estabelecia era a Blau Farmacêutica, ou seja, um edital direcionado para um único candidato.

PHA: O senhor pensou em denunciar à Polícia?

J.S.: Já fizemos também à Polícia Federal. Fomos pessoalmente, entreguei em mãos ao presidente do Tribunal de Contas da União, que nos recebeu muito bem e, prontamente, encaminhou para o setor que acompanha a área de Saúde. Encaminhamos a denúncia à PGR, encaminhamos a denúncia para a chefia da Polícia Federal... espero que desta vez investiguem, porque em 2015 - eu estava na CPI da Petrobras - recebi um conjunto imenso de provas de corrupção na Odebrecht no final dos anos 1990 com o uso de códigos, com os codinomes dos corruptos, mais de 400 agentes públicos, recibo de depósito em banco em paraíso fiscal... fui lá pessoalmente entregar ao dirigente da Polícia Federal e não fizeram nada, nada! Espero que desta vez não aconteça da mesma forma.

PHA: Qual foi o investimento feito na construção da Hemobrás?

J.S.: Olha, eu não estou com esse dado aqui, mas ele não está concluído, diferente da fábrica de Bio-Manguinhos, que está pronta, está na fase chamada de pré-operação, quando vão ligando o sistema de ar, o sistema de água... Para entrar em operação uma fábrica dessa, leva alguns meses. Mas, só para você ter ideia da importância disso: o front da tecnologia de medicamentos no mundo está migrando da química para os medicamentos biológicos. E essa é primeira grande fábrica de biológicos do Brasil - e a maior da América Latina. 

Com a tecnologia transferida, o Brasil, através de uma fundação do próprio Ministério da Saúde, tem o que há de mais moderno no mundo em tecnologia de medicamentos. É bom lembrar, também, que graças a essa política de conteúdo nacional e de parcerias de desenvolvimento produtivo, nós temos hoje o maior programa de vacinação do mundo! Nós não teríamos como vacinar nossas adolescentes contra o HPV, que causa câncer de colo de útero, se fôssemos só importadores de vacinas. Não teríamos como ter erradicado e reduzido a ocorrência de várias doenças. 

Não teríamos, em suma, o maior programa de vacinação do mundo se não tivéssemos parcerias com a Fiocruz, o Instituto Butantan, em São Paulo, incorporado tecnologia e criado produção local. Então, é impressionante o que está fazendo esse Governo! Incoerentes eles não são: destruíram Ciência sem Fronteiras...

PHA: E vão destruir agora o crédito imobiliário com FGTS, que é a linha mais barata depois do "Minha Casa, Minha Vida". Está caindo ponto por ponto...

J.S.: Na área de tecnologia, eles acabaram com o Ministério de Ciência e Tecnologia, acabaram com o Ciência sem Fronteiras do Ministério da Educação, cortaram o orçamento de todas as políticas de Ciência e Tecnologia para 40% do que era no passado, estão destruindo a política de conteúdo nacional na Petrobras, acabando com a Indústria Naval, acabando com projetos estratégicos, tentando privatizar projetos estratégicos como o satélite brasileiro e, na área de Saúde, a mesma coisa: tentando destruir a Hemobrás e destruir os investimentos da Fiocruz. É impressionante como são coerentes no entreguismo e na destruição do patrimônio nacional.

PHA: Como diria o Hamlet, deputado, a loucura tem uma lógica...

J.S.: Tem, tem, com certeza...

PHA: O senhor, por favor, nos mantenha em contato, para que possamos dar cobertura sistemática a essa tentativa de fechar não só o complexo de Manguinhos, como também a Fiocruz, o que seria a continuação dessa política...

J.S.: Você sabe que esse Ministro aí está entalado com a Fiocruz, porque ele não queria que a presidente eleita tomasse posse... No final do ano, ela foi a mais votada e eles tentaram evitar que ela fosse empossada.

PHA: Quem sabe ele consegue colocar lá o presidente da Blau Farmacêutica...

J.S.: Com certeza.

Inverno começa na madrugada desta quarta-feira com frio na maior parte do país

MCTIC
20 de junho de 2017

Crédito: Agência Brasil

No entanto, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, temperaturas devem ficar dentro da média para o período. Isso porque não há previsão de fenômenos climáticos como El Niño ou La Niña.

O inverno começa oficialmente nesta quarta-feira (21) à 1h24, no horário de Brasília, derrubando a temperatura, principalmente, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste por causa da formação de frentes frias vindas da Antártica. No entanto, sem a ocorrência dos fenômenos climáticos El Niño e La Niña, os termômetros devem ficar dentro da média histórica para o período.

"Os modelos climáticos que analisamos apontaram que as temperaturas vão ficar dentro da normalidade, especialmente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Na Amazônia, temos as ‘friagens'. Vai esfriar mais em alguns momentos e, em outros, vai ficar mais quente. Em princípio, não deveremos ter grandes anormalidades em termos médios, até porque não temos episódios de El Niño ou de La Niña", afirmou o coordenador-geral de Operações e Modelagens do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Seluchi.

O inverno também marca a queda dos índices de umidade relativa do ar na região central do Brasil – que engloba o Sudeste, Centro-Oeste, a parte sul da região Norte e áreas do sul e do oeste do Nordeste. Como consequência, aumenta-se o risco de ocorrência de queimadas, especialmente no Cerrado e no sul da Amazônia. No litoral, a preocupação é com a formação de nevoeiros.

"É no inverno que acontece a estação mais seca na maior parte do Brasil. No interior se forma um tempo muito seco, com umidade muito baixa. Isso acontece porque a amplitude térmica é muito grande, com temperaturas muito altas durante o dia e muito baixas durante a noite. E isso favorece que aconteçam queimadas, o que ajuda a piorar a questão da umidade. No litoral, é normal termos muitos nevoeiros", explicou Seluchi.

Astronomia


É sempre bom lembrar que é no solstício de inverno que ocorre a noite mais longa do ano. A data marca o ponto em que o Sol atinge a maior distância do Equador celeste, localizado no hemisfério norte. Uma das principais características da estação – que se estende até o dia 22 de setembro – são as noites longas. "À medida que a primavera se aproxima, o comprimento dos dias vai aumentando até que, no equinócio, as noites e os dias ficam com o mesmo tamanho", disse a pesquisadora da Coordenação de Astronomia e Astrofísica do Observatório Nacional (ON), Josina Nascimento.

As diferentes estações do ano ocorrem por causa da inclinação do eixo da Terra em relação ao Sol. Por conta disso, quando é verão no hemisfério sul, os raios solares incidem de forma perpendicular ao Trópico de Capricórnio e, nessa mesma época, é inverno no hemisfério norte.

O horário de início das estações varia a cada ano. De acordo com a pesquisadora do ON, essa diferença se deve ao período de translação da Terra (exatamente 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46,08 segundos). O início das estações do ano e outros fenômenos astronômicos são encontrados no livro Anuário do Observatório Nacional.

Brasil permanece estagnado no Índice Global de Inovação

Agência ABIPTI
20  de junho de 2017



O Brasil não melhorou seu desempenho em inovação e manteve a 69ª colocação no Índice Global de Inovação 2017, divulgado na Suíça pela Universidade Cornell, a escola de negócios Insead e a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi). O ranking examinou 81 indicadores para avaliar a performance de 127 países, como registros de patentes, despesas em educação, instrumentos de financiamento, entre outros. 

Mesmo sendo a maior economia da América Latina e do Caribe, o Brasil ocupa apenas a 7º posição no ranking regional de inovação, dentre 18 países, ficando atrás de vários vizinhos latinos. O país mais bem colocado é o Chile (46º), seguido por Costa Rica (53º), México (58º), Panamá (63º), Colômbia (65º) e Uruguai (67º).

Pelo sétimo ano seguido, a Suíça ocupa o topo da lista. Suécia, Países Baixos, Estados Unidos e o Reino Unido completam os cinco primeiros lugares do ranking. Países emergentes como Índia, Quênia e Vietnã apresentaram resultados superiores a economias com níveis semelhantes de desenvolvimento. Isso devido ao grande esforço em prol do aperfeiçoamento dos seus ecossistemas de inovação e da conquista de uma posição elevada em indicadores importantes relacionados com a educação, pesquisa e desenvolvimento (P&D), crescimento da produtividade e das exportações de produtos de alta tecnologia.

Entre 2016 e 2017 houve uma melhora tímida do Brasil no indicador de eficiência da inovação. O país passou da 100ª posição para a 99ª, mas perdeu posições no ranking de renda média - passou de 17º para 18º. O panorama da inovação no Brasil mudou de otimismo para preocupação em sete anos. Em 2011, ele ocupava a 47ª posição - a melhor colocação já registrada – mas caiu para a 69ª em 2016 e em 2017. A posição geral só não é pior do que a aferida em 2015, em que o país ocupou o 70º lugar.

"As classificações do Índice Global de Inovação desta região não registraram progressos significativos, relativamente a outras regiões, no decorrer dos últimos anos, e nenhum país da América Latina e do Caribe mostra atualmente desempenhos notáveis em matéria de inovação, levando em conta o seu nível de desenvolvimento", aponta o documento.

Em sua décima edição, o estudo assinala um fosso constante na capacidade de inovação entre as nações desenvolvidas e em desenvolvimento, bem como índices medíocres de crescimento para as atividades de P&D, tanto no âmbito governamental como empresarial. “A inovação é o motor do crescimento econômico numa economia global cada vez mais baseada no conhecimento, mas um maior volume de investimentos é necessário para estimular a criatividade humana e o desempenho econômico”, disse Francis Gurry, diretor-Geral da Ompi.

Pontos positivos

Apesar disso, o relatório ressaltou pontos positivos nas principais economias da região. "Chile, México, Brasil e Argentina registram bons desempenhos nas áreas do capital humano e de pesquisa, tais como a qualidade de suas universidades, matrícula em educação superior e presença de empresas globais de P&D, assim como em matéria de tecnologia da informação e das comunicações [TICs], graças aos seus altos índices em matéria de serviços oficiais online e de participação online", detalha o relatório.

Ainda segundo o estudo, um grupo de economias de rendimento médio e baixo tem registrado um desempenho na área da inovação significativamente melhor do que o seu nível atual de desenvolvimento poderia pressupor. Ao todo, 17 países foram classificados como “conquistadores da inovação” este ano, marcando um leve aumento em relação a 2016. Desses, nove são oriundos da região da África Subsaariana, como o Quênia e Ruanda, e três são oriundos da Europa Oriental.

(Agência ABIPTI, com informações da Agência CNI de Notícias)

terça-feira, 20 de junho de 2017

Ministro defende investimentos públicos em ciência e a recomposição do orçamento

MCTIC
20 de junho de 2017

Para ministro, é fundamental disponibilizar recursos públicos para ciência, tecnologia e inovação. Crédito: Finep
Gilberto Kassab participou das comemorações pelos 50 anos da Finep, no Rio de Janeiro. Na cerimônia, foram anunciados um edital para startups e uma linha de financiamento para compra de equipamentos de comunicação.

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, defendeu nesta segunda-feira (19) a renovação da confiança e do apoio à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Durante as comemorações pelos 50 anos da agência, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, Kassab reiterou a importância de destinar recursos públicos para ciência, tecnologia e inovação e lembrou que nenhum país do mundo conquistou o desenvolvimento sem investimentos em pesquisa.

"É hora de criarmos uma verdadeira onda de mobilização para que a Finep possa continuar contando com o apoio efetivo e especial do governo federal", disse o ministro.

Ele lembrou que o Brasil atravessa difícil conjuntura e alertou que há um longo caminho a ser percorrido para a recuperação do prestígio e da dimensão dos investimentos em pesquisa. 

"No ano passado, tivemos a felicidade de contar com a solidariedade da equipe econômica e da Presidência da República para que pudéssemos recompor parte do orçamento. Mas foi pelo passado. De nada adiantou em relação ao futuro. Porém, posso dizer a vocês, sempre estive à frente das lutas, não fugi de nenhuma delas."

Durante a cerimônia, a Finep lançou um edital para startups e uma linha de financiamento para aquisição de equipamentos de comunicação fabricados no país. Além disso, anunciou o seguro-garantia nas operações de crédito.

"Apesar da conjuntura difícil, a Financiadora apresenta uma série de iniciativas, principalmente projetos envolvendo recursos à disposição daqueles que estão prontos para inovar e para criar, agora com uma peculiaridade de pulverizar esses recursos de uma maneira mais direta e mais ampla", ressaltou Kassab.

O programa Finep Startup prevê um primeiro edital com aporte de R$ 50 milhões a 50 empresas – 25 por rodada de investimento. Nos quatro anos seguintes, a agência deve financiar R$ 100 milhões anuais. "Essa ação pensa o Brasil do futuro, dando apoio para que a gente possa ser um país que traga cada vez mais inovações e oportunidades de conviver com a modernização", comentou o ministro.

A iniciativa busca alavancar companhias que estejam em fase final de desenvolvimento de produto, para colocá-lo no mercado, ou que precisem ganhar escala de produção. A financiadora já apoiava empresas nascentes via fundos de investimento em participações (FIPs), dos quais participa como cotista, mas agora passa a investir diretamente nas startups.

A expectativa é que o apoio se concentre nas seguintes áreas: educação, cidades sustentáveis, fintech – junção de finanças com tecnologia –, Internet das Coisas, economia criativa, energia, defesa, mineração, petróleo, manufatura avançada, biotecnologia, tecnologia agrícola, química e Modelagem da Informação da Construção (BIM, na sigla em inglês).

Já o programa Telecom abre uma linha de financiamento exclusiva para empresas nacionais adquirirem equipamentos de telecomunicação totalmente fabricados no país. Segundo o ministro, a ideia "traz a oportunidade de modernizar e renovar a infraestrutura e, com isso, facilitar a vida dos empreendedores, em especial o pequeno e o micro". São previstos recursos da ordem de R$ 630 milhões, em valores reembolsáveis e disponibilizados via Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel).

O presidente da Finep, Marcos Cintra, lembrou que fabricantes internacionais de equipamentos de telecomunicações, como China e Estados Unidos, normalmente conseguem oferecer condições de negócio mais vantajosas para os compradores. "Com o Programa de Apoio à Aquisição Inovadora em Empresas de Telecomunicações, pretendemos reaquecer o mercado e estimular o desenvolvimento e a consolidação da cadeia nacional de fornecedores de equipamentos e de serviços de telecomunicações."




A terceira novidade é o fato de a Finep passar a aceitar o seguro-garantia nas operações de crédito, a partir de junho, como caução para financiamentos oferecidos pela agência. A modalidade é regulamentada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) e visa garantir determinadas obrigações a cargo do segurado, em favor de um beneficiário nomeado na apólice.




Em comparação à fiança bancária, o seguro tende a ser uma alternativa de menor custo e que não exige reciprocidade bancária. Historicamente, um dos maiores problemas das empresas para conseguir financiamento está nas garantias.






Também no evento, foram lançados um selo e um carimbo comemorativos, produzidos pelos Correios, em celebração pela data. Houve homenagens a grandes nomes da comunidade acadêmica, científica e produtiva do Brasil com a entrega de placas por sua atuação em prol do desenvolvimento científico e tecnológico do país.




O ministro e o presidente da Finep assinaram, ainda, convênios ligados a chamadas públicas de apoio institucional, de centros nacionais multiusuários e do fundo CT-Infra.

NASA encontra dez exoplanetas nas zonas habitáveis de suas estrelas

Galileu
19 de junho de 2017

Nasa encontra 219 candidatos a exoplanetas (Foto: Nasa)

NASA encontrou 219 candidatos a exoplanetas, ou seja, planetas que orbitam estrelas que não sejam o Sol. Entre eles, dez têm quase o mesmo tamanho que a Terra e estão nas zonas habitáveis de suas estrelas, o que faz com que tenham chances de possuirem condições para vida. A descoberta foi feita a partir da observação que o telescópio Kepler fez de uma parte da constelação de Cisne, que fica a onze anos-luz da Terra.

O anúncio foi na manhã desta segunda-feira (19) da Conferência Científica Kepler, no Centro de Pesquisa Ames, no Vale do Silício, no estado americano da Califórnia. A descoberta faz parte da missão Kepler, que tem como objetivo "explorar a estrutura e diversidade de sistemas planetários".

A partir dos novos candidatos, os pesquisadores da agência espacial americana descobriram que existem dois grupos diferentes de pequenos planetas: os rochosos de tamanho parecido com o da Terra e os gasosos menores que Netuno — poucos objetos que não se encaixam em nenhuma das duas categorias foram encontrados.

"Esse catálogo é a base para respondermos uma das perguntas mais importantes da astronomia: quantos planetas parecidos com a Terra existem na galáxia?", ressaltou a pesquisadora da missão Kepler, Susan Thompson, durante o anúncio. "Vemos esse estudo de classificação de planetas da mesma forma que biólogos identificam novas espécies de animais", afirmou Benjamin Fulton, autor de uma das pesquisas relacionadas à descoberta. "Encontrar dois grupos diferentes de exoplanetas é como descobrir que mamíferos e répteis são de diferentes espécies."

Missão Kepler
Conduzida pela agência espacial americana, a missão Kepler tem como objetivo principal "explorar a estrutura e diversidade de sistemas planetários". Segundo a NASA, o projeto também visa:
- Determinar a porcentagem de planetas grandes e terrestres que estão próximos a ou na zona habitável que uma variedade de estrelas
- Determinar a distribuição dos tamanhos e formas de órbitas dos planetas
- Estimar quantos planetas estão em sistemas de várias estrelas
- Determinar a variedade de tamanhos, massas e densidades de órbitas e planetas
- Identificar membros adicionais de cada sistema planetário usando novas técnicas
- Determinar as propriedades das estrelas desses sistemas planetários

Lançado em 2009, o telescópio Kepler se tornou o primeiro em uma missão da agência capaz de encontrar planetas do tamanho da Terra perto a ou em zonas habitáveis — distância na qual um objeto poderia ter água líquida ou superfície rochosa e, potencialmente, condições para vida.

Com a nova descoberta, a missão detectou mais de quatro mil candidatos a planeta, dos quais 2,3 mil foram confirmados. Destes, 50 candidatos a estarem em zonas habitáveis de suas estrelas, dos quais 30 foram confirmados nessas condições.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Ministros discutem oportunidades na parceria entre Brasil e Suécia em defesa

Agência ABIPTI
14 de junho de 2017

Foto: divulgação

Os ministros da Defesa do Brasil, Raul Jungmann, e da Suécia, Peter Hultqvist, reuniram-se nesta terça-feira (13), em Estocolmo, para discutir as oportunidades crescentes de cooperação bilateral em defesa entre os dois países. Um exemplo é o caça de combate Gripen NG, além de demais contribuições em outros setores da economia de ambos os países.

"Estamos avançando na parceria entre o Brasil e a Suécia. E o Gripen NG é uma colaboração importante, pois permitirá que o Brasil tenha autonomia para construir aviões de caça no futuro", afirmou o ministro Jungmann.

O governo brasileiro, a Embraer e a empresa sueca fabricante do novo caça, Saab, inauguraram em novembro de 2016, em Gavião Peixoto (SP), o Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen. Até 2024, 350 profissionais participarão de cursos e treinamentos no centro de pesquisa nórdico. Ao final do programa, eles deverão dominar todo o conhecimento crítico necessário para o desenvolvimento das aeronaves.

Ao todo, 36 unidades devem ser entregues em cinco anos, a contar a partir de 2019, e deste total, 23 serão produzidos pela Embraer, sendo 15 totalmente fabricados no Brasil. Em abril deste ano, a Saab garantiu que todos as aeronaves do modelo receberão peças brasileiras a partir do acordo de transferência de tecnologia com o Brasil. O avanço na cooperação com a Suécia deverá garantir que não somente as bases industriais aeronáuticas serão beneficiadas, mas também outras áreas das economias dos dois países.

Durante a reunião bilateral, Jungmann e Hultkvist também abordaram as parcerias estratégicas e a cooperação entre as Forças Armadas brasileira e sueca. O ministro Jungmann destacou as pesquisas em biodiesel realizadas na Suécia, a troca de experiências em relação às missões de paz e o conhecimento brasileiro em treinamentos de guerra na selva.

KC 390

Após o encontro, os dois ministros seguiram até a Base Aérea de Uppsala, cidade a 80 quilômetros da capital. No local, assistiram a uma demonstração estática da aeronave de multiuso KC-390, planejada pela Força Aérea Brasileira (FAB) e produzida pela Embraer.

Jungmann afirmou que "o KC 390 é um projeto estratégico, prioritário para o Ministério da Defesa, e que foi concebido para atender às necessidades operacionais da FAB. Mas, também atenderá às necessidades de outras forças aéreas de países amigos."

O KC-390, a maior aeronave já produzida no Brasil, se adequa a todos os usos necessários de transporte logístico. Ele também pode ser usado para lançamento de cargas e tropas, combate a incêndio, ajuda humanitária, busca e salvamento, reabastecimento em voo e evacuação aeromédica.

(Agência ABIPTI, com informações do Ministério da Defesa)

Fundação busca empresas para criar centro de pesquisa de manufatura avançada

Agência ABIPTI
19 de junho de 2017

Centro desenvolverá tecnologias que viabilizam não só a otimização de plantas fabris como também a extensão de aplicações integradas - Foto: Reprodução/Internet

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) procura empresas ou consórcios de empresas interessadas em celebrar acordos de cooperação para criar um Centro de Pesquisa em Engenharia na área de Manufatura Avançada, sediado em universidades e/ou instituto de pesquisa de São Paulo. As propostas podem ser enviadas até 8 de agosto.

O objetivo é desenvolver tecnologias que viabilizam não só a otimização de plantas fabris como também a extensão de aplicações integradas em toda a cadeia de valor e ciclo de vida do produto, em uma área fundamental para a competitividade da indústria.

O parceiro selecionado firmará um Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica com a Fapesp, qualificando-se para lançar, junto com a fundação, chamada pública para seleção das instituições interessadas em integrar o Centro de Pesquisa em Engenharia em Manufatura Avançada.

As atividades do centro serão financiadas com recursos da Fapesp, da empresa ou consórcio de empresas, das universidades e institutos participantes. A companhia parceira participará da gestão do Centro de Pesquisa em Engenharia e, junto com a fundação, avaliará periodicamente as suas atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D).

As áreas prioritárias de pesquisa do futuro incluem manufatura aditiva, sistemas ciber-físicos, redes de comunicações e segurança cibernética, sensores e rastreadores, virtualização, modelagem, simulação, digitalização, tecnologias de apoio, inteligência artificial, computação ubíqua, analytics, Big Data, fotônica, novos materiais e materiais inteligentes.

Para mais informações, acesse o comunicado da Fapesp disponível no endereço www.fapesp.br/10988.

(Agência ABIPTI, com informações da Fapesp)

Crianças de São José dos Campos participam de concurso das Nações Unidas sobre exploração espacial

INPE
16 de junho de 2017



Na terça-feira (20/6), às 9h30, serão apresentados no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP), os trabalhos realizados por alunos da rede municipal para o concurso “Peace and Cooperation School Award 2017 – Looking to the Stars – The Future of the World”, promovido pela UNOOSA – Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior.

O evento é fruto de uma parceria entre o INPE, através da Seção de Relações Internacionais, e a Secretaria de Educação da Prefeitura de São José dos Campos, para viabilizar a participação neste concurso que busca aumentar a consciência sobre temas sociais globais entre as crianças.

Estudantes de todo o mundo foram convidados a apresentar trabalhos artísticos que reflitam os problemas sociais atuais e que ressaltem como a exploração do espaço poderia trazer benefícios para a humanidade. Os vencedores serão anunciados pela UNOOSA em outubro de 2017.

Um grupo de 26 crianças representará os alunos das escolas municipais de São José dos Campos na entrega dos trabalhos no INPE. Elas fazem parte do Coral da EMEF Elizabete de Paula e, na oportunidade, cantarão as músicas: Sementes do Amanhã, de Gonzaguinha; Trem-bala, de Ana Vilela; e Banaha, canção tradicional africana.

O evento é aberto ao público e acontecerá no Auditório Roger Honiat, no LIT/INPE.

As crianças participarão ainda de visita ao Laboratório de Integração e Testes (LIT).


Ciência nas escolas

O INPE busca fomentar nas crianças e jovens o interesse pela ciência e nos benefícios que esta pode trazer à sociedade.

Em outra parceria com a rede municipal de ensino de São José dos Campos, o INPE desenvolveu animações e material didático que em breve estará disponível, pela internet, a educadores de todo o Brasil.

A ideia é levar para a sala de aula alguns conceitos de meteorologia, ciência do sistema terrestre, clima espacial, energias renováveis, observação da Terra e satélites com uma linguagem adequada para crianças.