segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Brasil Quer Liquidar Empresa Com a Ucrânia Após Fracasso de Foguete

Por Isabel Fleck
Enviada Especial à Nova York
21/09/2017 – 21h51
 
O governo brasileiro quer liquidar a empresa binacional ACS (Alcântara Cyclone Space), formada com a Ucrânia para o lançamento de foguetes do país com satélites comerciais da base de Alcântara, no Maranhão.
 
Em 2015, o governo federal decidiu cancelar o acordo bilateral para o lançamento dos satélites, depois que os dois governos gastaram aproximadamente R$ 1 bilhão na empreitada fracassada.
 
"A empresa tem que ser liquidada, né? No próprio acordo que firmamos com a Ucrânia se prevê a forma de liquidação do Brasil e da Ucrânia. Nós não podemos continuar com uma empresa inativa com uma despesa mensal. É preciso de prazo para isso", disse o chanceler brasileiro, Aloysio Nunes, após se encontrar com o homólogo ucraniano, Pavlo Klimkin, em Nova York.
 
Segundo Aloysio, é preciso "ver o que se gastou, o que está pendente". "Como receberemos a vista do ministro do Comércio ucraniano em outubro, ele irá já com uma posição sobre como eles querem lidar com isso", disse Aloysio.
 
 
Fonte: Site do Jornal Folha de São Paulo - 21/09/2017

Embraer e ITA prorrogam inscrições para engenheiros recém-formados

Programa de Especialização em Engenharia busca 30 novos profissionais

Meon, 25 de Setembro de 2017
 
 
 
embraer_3
ITA e Embraer promovem programa para novos engenheiros
Divulgação
A Embraer e o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) prorrogaram a data limite das inscrições para o processo seletivo voltado a engenheiros recém-formados com objetivo de atuação na área de desenvolvimento de produtos da empresa. Os interessados podem se inscrever pelo internet, no site do programa, até o dia 28 de setembro.
O projeto, em parceria com o ITA, tem por objetivo selecionar 30 profissionais para participarem do PEE (Programa de Especialização em Engenharia), que tem previsão de início em 19 de fevereiro de 2018, com duração de um ano e meio.
Os candidatos precisam ter inglês avançado e serem graduados entre 2015 e 2017, nas modalidades: aeronáutica, civil, computação, eletrônica, materiais, mecânica, mecatrônica, naval, produção, química ou outras áreas relacionadas. Mais detalhes estão descritos no site do programa.

Programa de Especialização em Engenharia
Em parceria com o ITA, o PEE é um programa corporativo que visa à capacitação de engenheiros e oferece título de mestrado profissional em engenharia aeronáutica, reconhecido pela CAPES / MEC. Todos os cursos e atividades são ministrados em dependências da companhia por profissionais da Embraer e consultores contratados.
O programa combina a carga de especialização técnica com o desenvolvimento de conhecimento multidisciplinar. O projeto está estruturado em três fases distintas com duração de 5 a 6 meses cada (Fundamentos de Aeronáutica, Especialização e “Projeto Avião”).
As aulas são ministradas de segunda a sexta-feira, em período integral das 7h30 às 17h, por professores do ITA, especialistas da Embraer e consultores de diversos países.

ACOMPANHE OS PRAZOS
Inscrições - Até 28 de setembro - www.embraer.com/pee 
Testes on line (aderência ao perfil, inglês e lógica) - Até 30 de setembro - e-mail
Convocação para testes presenciais - Até 16 de outubro de 2017 - e-mail
Testes Presenciais - 12 de novembro de 2017 - diversas cidades
Convocação para Dinâmicas de Grupo e Entrevista - Até 20 de novembro de 2017 - e-mail
Dinâmicas de grupo e entrevistas presenciais - 04 a 08 de dezembro de 2017 - Embraer em São José dos Campos
Convocação dos aprovados PEE - 26 até 22 de dezembro de 2017 - e-mail
Início PEE 26 - 19 de fevereiro de 2018 - Embraer em São José dos Campos
*A Embraer se reserva o direito de excluir ou alterar as cidades em razão do número de candidatos.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

INPE e OMM realizam simpósio sobre dados meteorológicos

INPE, 21 de Setembro de 2017

Enfrentar os desafios e desencadear inovações em métodos avançados de assimilação de dados para um amplo espectro de aplicações na ciência do sistema atmosférico, oceânico e do sistema terrestre.
Esta foi a proposta do 7° Simpósio Internacional em Assimilação de Dados, que reuniu cientistas de 18 países em Florianópolis (SC) entre os dias 11 e 15 de setembro.
O evento foi organizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), através de seu Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM).
“Participaram em torno de 200 pessoas, a maioria do Brasil, mas também dos Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, Argentina, Canadá, Austrália, China, Coreia do Sul, Japão etc.”, informou Dirceu Luís Herdies, pesquisador do CPTEC/INPE e um dos responsáveis pela organização do evento.


Pesquisadores do mundo todo se reuniram em Florianópolis


Participantes do 7° Simpósio Internacional em Assimilação de Dados

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Crise na Ciência brasileira é tema de debate na Adufc-Sindicato

Jornal da Ciência, 21 de setembro de 2017
O presidente da SBPC, Ildeu de Castro Moreira, apresenta a palestra “Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil: a situação atual”, hoje, às 18h, em Fortaleza (CE)
Na quinta-feira (21), às 18h, o Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Ceará (Adufc-Sindicato) realizará palestra sobre “Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil: a situação atual”, com o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), professor e pesquisador Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ildeu de Castro.
Para o presidente da SBPC, “o que estamos vivendo é muito grave, uma crise econômica e política com consequências sociais muito sérias”. Ainda segundo ele, “precisamos prestar nosso apoio às universidades públicas, que estão vivendo um momento muito difícil”, conclui o professor Ildeu de Castro.
A iniciativa é uma parceria entre a Adufc-Sindicato e a SBPC, e tem como objetivo instituir um espaço de debates interdisciplinares e fortalecer a relação do Sindicato com a comunidade acadêmica e a sociedade, por meio da discussão de temas de interesses comuns, sobre Ciência, Tecnologia e Cultura.
Sobre o palestrante
Doutor em física pela UFRJ, é professor do Instituto de Física e de programa de pós-graduação em história das ciências, ensino de física e história da física na UFRJ, e em mestrado em divulgação científica (Fiocruz/UFRJ/MAST/JBRJ). Realizou estágios de pesquisa na França, na École Polytechnique e na Universidade de Paris VII. Trabalha nas áreas de física teórica (sistemas não-lineares), história da ciência, em particular história da ciência no Brasil, e comunicação pública da ciência. Recebeu o Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica do CNPq em 2013. É Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC (2017-2019).
Serviço
Palestra sobre “Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil: a situação atual”
Dia: 21 de setembro de 2017
Horário: 18h
Local: Auditório da ADUFC-Sindicato (Av. da Universidade, 2346 – Benfica)
Aberto ao público

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Opinião: O Brasil segue na contramão dos rankings acadêmicos

Folha de São Paulo, 19 de setembro de 2017
 Adriano Vizoni/Folhapress 
RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL, 16-08-2017, 16h00: ESPECIAL RUF 2017. Campus da UFRJ, na Cidade Universitaria. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress, ESPECIAIS) ***EXCLUSIVO FSP***
Cartaz ironiza demora para manutenção na UFRJ, universidade que lidera o RUF
ADOLFO-IGNACIO CALDERÓN
ESPECIAL PARA A FOLHA


Recentemente, comemorou-se a liderança do Brasil no ranking de universidades da América Latina 2017, do THE (Times Higher Education), cujo destaque foi o primeiro lugar obtido pela Unicamp, superando a USP. No RUF, desde 2016, a USP também perdeu a primeira posição para a UFRJ, que emergiu com a melhor do país.
Apesar desses percalços, a USP ainda se consagra como a universidade brasileira melhor posicionada no ranking mundial de universidades do THE, ficando na faixa das 251-300 melhores do mundo, seguida distantemente pela Unicamp (401-500) e pela Unifesp (501-600).
Para além dessas conquistas, essas universidades têm em comum agudos problemas financeiros e endêmicas dificuldades de gestão, distanciando-se das chamadas "universidades de classe mundial" (na sigla UCM). São instituições com realidade financeira diferente, marcadas pela solvência econômica e principalmente por eficientes estruturas de governança.
Além disso, inserem-se em um sistema baseado no controle do Estado, com relativa autonomia e baixa pressão do mercado, bem como, em estruturas de gestão burocratizadas e distantes do modelo de universidade empreendedora defendida pelo sociólogo norte-americano Burton Clark. Ou seja: universidades flexíveis e abertas para atender às demandas da sociedade. Isso talvez explique o fato de que nenhuma delas participa no mercado global de educação superior.
Estudos demonstram que as verdadeiras UCM criam filiais fora de seus países, com unidades próprias e com escritórios de representação, ou participam da co-fundação de instituições no exterior.
Apesar de serem líderes na América Latina, as nossas universidades não adotam esse tipo de prática. Tampouco aderem a políticas institucionais de valorização do mérito individual ou coletivo, como por exemplo bonificações por desempenho.
Aliás, o Prêmio Excelência Acadêmica Institucional da USP, intensificado em 2012 e extinto em 2014, foi uma tentativa de bonificação pela performance em rankings internacionais que se viu afetado pela crise financeira institucional desta universidade.
Distante das tendências internacionais, o Estado Brasileiro se mostrou até hoje omisso e sem uma política indutora que acene estrategicamente para a inserção do Brasil, de maneira diferenciada, na economia global do conhecimento.
O mais próximo que chegou disso foi o abortado projeto do MEC chamado "Universidades de Excelência - TOP 200", que previa concentrar esforços em cinco universidades públicas federais para que se inserissem entre as 200 melhores do mundo.
Deixar de seguir na contramão exige enfrentar a realidade e construir as bases de uma nova universidade brasileira e global que enfrente as demandas do século 21.
Para isso, não há dúvidas: rankings nacionais e internacionais de universidades podem ser poderosas ferramentas de apoio à gestão da política de educação superior.
Adolfo-Ignacio Calderón é professor da PUC-Campinas e coordenador da Rede Brasileira de Pesquisadores sobre Rankings Acadêmicos, Índices e Tabelas Classificatórias na Educação Superior 

Cortes de recursos para ciência ameaçam participação de brasileiros em experimentos no Cern

O Globo, 19 de setembro de 2017
  

Brasil já não pagou taxa cobrada de pesquisadores de todo mundo em 2017 e orçamento não inclui provisão para 2018

 
RIO – Os cortes nos recursos para ciência e tecnologia do governo ameaçam a participação de mais de cem pesquisadores brasileiros em experimentos no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern), dono do maior acelerador de partículas do mundo, o Grande Colisor de Hádrons (LHC), na fronteira da Suíça com a França. Diante disso, uma comissão de cientistas reunidos pela Rede Nacional de Física de Altas Energia vai a Brasília nesta terça-feira tentar obter as verbas necessárias para que possam dar continuidade às suas pesquisas.
 
Segundo os pesquisadores, este ano o Brasil já não pagou as chamadas taxas de manutenção e operação devidas pela sua participação nas colaborações no Cern, e no projeto da Lei Orçamentária de 2018, enviado ao Congresso pelo Executivo no último dia 31 de agosto, não há nenhuma provisão para o pagamento das taxas também no ano que vem. Os valores destas taxas, pagas por todos os pesquisadores plenos - isto é, não estudantes, seja de mestrado ou doutorado – de todos países, inclusive os Estados-membros do Cern, variam de acordo com o experimento, mas ficam em média por volta de 8 mil francos suíços (quase R$ 26 mil) por pesquisador por ano.
- O Brasil já está inadimplente e isso cria uma situação muito vergonhosa para todos nós – conta Claudio Lenz Cesar, professor do Instituto de Física da UFRJ e um dos três pesquisadores plenos brasileiros que fazem parte da colaboração Alpha, experimento que busca encontrar diferenças, mesmo que mínimas, nas propriedades do anti-hidrogênio com relação ao hidrogênio de forma a tentar explicar porque nosso Universo é composto basicamente de matéria, apesar de a teoria do Big Bang indicar que a grande “explosão” que teria dado origem a tudo que existe deveria ter criado quantidades iguais de matéria e anti-matéria.
Segundo Cesar, mais do que ameaçar os pesquisadores brasileiros com a expulsão das colaborações no Cern, o não pagamento das taxas coloca em risco a liderança do país em alguns campos destas pesquisas. Desde o início do ano, por exemplo, o laser de baixas temperaturas do Alpha, responsável pela “captura” dos átomos de anti-hidrogênio do experimento, usa uma cavidade ótica para aumentar sua potência que foi totalmente desenvolvido e construído aqui no Brasil. Além disso, os pesquisadores brasileiros se preparam para implementar no mesmo experimento uma nova técnica que permitirá fazer as medições das propriedades do anti-hidrogênio e do hidrogênio em um mesmo ambiente com uma precisão inédita de 15 casas decimais, isto é, na escala do trilionésimo, o que corre o risco de não acontecer sem recursos extras.
- Sem estes investimentos, o Brasil deixa de ter uma posição de liderança que poderia ter nestes experimentos – destaca Cesar. - Muitas vezes a física traz surpresas nestas casas decimais e com uma colaboração grande do Brasil o Alpha pode adentrar um terreno que nenhum outro experimento jamais chegou na área.
Uma das mais prestigiadas e avançadas instituições científicas do mundo, o Cern está por trás de vários desenvolvimentos importantes na ciência e tecnologia. A internet e a www, por exemplo, foi criada nos laboratórios do Cern para facilitar a troca de informações e colaboração entre seus pesquisadores. Mais recentemente, experimento no LHC confirmaram a existência do chamado bóson de Higgs. Apelidado de “partícula de Deus”, o bóson de Higgs é apontado como o responsável por conferir massa a todas outras partículas do Universo e era o último que faltava ter sua existência confirmada dentro do chamado Modelo Padrão da física. Elaborada nos anos 1960, esta teoria lista as 32 partículas fundamentais que formariam o Universo e mediariam suas forças.

ITA E CLA FIRMAM ACORDO COM UFMA PARA CURSO DE ENGENHARIA AEROESPACIAL

DCTA, 22 de agosto de 2017

O Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) firmaram nesta terça-feira (15/08) com a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) acordo de cooperação acadêmica e técnica visando a implantação do curso de graduação em Engenharia Aeroespacial na instituição de ensino superior maranhense. A assinatura do acordo ocorreu no CLA e contou com a presença dos Deputados Federais José Reinaldo e Waldir Maranhão, representantes da bancada maranhense na Câmara dos Deputados, do Tenente-Brigadeiro do Ar Carlos Augusto Amaral Oliveira, Diretor-Geral do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), dos dirigentes das três instituições envolvidas no acordo, além de integrantes do governo e  legislativo estadual maranhense.

O instrumento celebrado entre as três Instituições de Ciência e Tecnologia (ICT) estabelece contrapartidas e responsabilidades de cada um dos envolvidos e prevê o apoio acadêmico e técnico do ITA como explica o professor Anderson Correia, Reitor da instituição de ensino superior do Comando da Aeronáutica (COMAER) subordinada ao DCTA. “Os técnicos do CLA ajudarão a propiciar um caráter profissional e os professores do ITA irão participar periodicamente do curso presencialmente ou à distância, além de recebermos alunos em São José dos Campos para períodos de estágios.”

Para o Diretor do CLA, Coronel Luciano Valentim Rechiuti, a futura implantação do curso no Maranhão envolverá uma sinergia de experiências em prol do desenvolvimento do setor aeroespacial no país. “O nosso principal objetivo é conseguir unir os conhecimentos que existem agregados nas três instituições, ou seja, utilizar toda experiência acadêmica do ITA e o conhecimento agregado na área espacial, o conhecimento operacional que existe no CLA para que tudo isso possa ser utilizado pela UFMA, de forma que possamos dinamizar esse curso, para que ele possa ser um curso diferenciado, e que traga resultados não só para a UFMA, mas também para o CLA, para o Maranhão e para o Brasil como um todo.”

No evento de assinatura do acordo, o Diretor-Geral do DCTA, Tenente-Brigadeiro do Ar Carlos Augusto Amaral Oliveira relembrou o momento de criação do ITA e do DCTA ainda na década de 50 como um exemplo a ser seguido pelo estado do Maranhão como indutor para polo científico-tecnológico ligado aos setor aeroespacial, como o que existe atualmente em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Os Deputados Federais José Reinaldo (PSB-MA) e Waldir Maranhão (PP-MA) destacaram a importância do acordo para o desenvolvimento do estado do Maranhão e do país em uma área estratégica e que carece e demanda por profissionais altamente qualificados, além da articulação de toda bancada maranhense na Câmara dos Deputados para garantir os recursos. Por meio de emenda parlamentar proposta pela bancada do Maranhão devem ser disponibilizados inicialmente 60 milhões de reais em um primeiro momento  visando a implantação do curso de graduação em Engenharia Aeroespacial na UFMA. O acordo entre ITA, CLA e UFMA entrará em vigor a partir da publicação no Diário Oficial da União (DOU) e terá prazo de vigência pelos próximo cinco anos.
 
Engenharia Aeroespacial na UFMA

A expectativa da UFMA é oferecer o curso de graduação em Engenharia Aeroespacial aos alunos interessados a partir do vestibular deste ano de 2017.  “O aluno vai fazer vestibular para o Bacharelado Interdisciplinar de Ciência e Tecnologia e ao final de três anos ele faz a opção entre as engenharias que a universidade oferece. Nós teremos agora a engenharia específica na área aeroespacial, então o aluno já vai participar desse processo fazendo sua inscrição no ENEM agora para o primeiro semestre de 2018”, explica a professora Nair Portela, Reitora da UFMA. Por meio da graduação em Engenharia Aeroespacial espera-se fomentar a formação de recursos humanos de alta qualidade para o setor aeroespacial, disponibilizando a infraestrutura necessária e oferecendo a possibilidade de participação em pesquisas e serviços de lançamentos, rastreio de veículos espaciais e de coleta e processamento de dados de cargas úteis. O curso será o único do Brasil na área com ênfase em centros de lançamentos, somente proporcionado por meio da interação entre a universidade e a organização militar da Força Aérea Brasileira (FAB) situada em Alcântara, responsável pelo lançamento e rastreio de engenhos aeroespaciais.
Publicado em: 22/08/2017
Fonte:  CLA/ DCTA

AGÊNCIAS ESPACIAIS DOS BRICS DISCUTEM CONSTELAÇÃO DE SATÉLITES

Agências espaciais dos BRICS discutem constelação de satélites
Publicado em: AEB,  Brasília, 15 de setembro de 2017
A Agência Espacial Brasileira (AEB/MCTIC) em parceria com a Universidade de Brasília (UnB) promoverá nos dias 18, 19 e 20 de setembro 1st BRICS Remote Sensing Satellite Constellation Forum. O encontro reúne representantes das agências espaciais dos BRICS  –  Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – que discutirão aspectos técnicos relacionados à iniciativa dos cinco países em estabelecer uma constelação virtual de satélites de sensoriamento remoto.
Ao longo dos três dias, profissionais também discutirão outras questões ligadas ao segmento espacial, como segmento de solo da constelação, aplicações em sensoriamento remoto, bem como outros aspectos de interesse dos BRICS.  Assuntos estabelecidos nas declarações de cúpula dos países, mais especificamente na 7ª reunião, que aconteceu em 2015 na Rússia, e na 9ª, realizada na China em 2017, também serão tratados no Fórum.
Na ocasião das cúpulas, os líderes dos BRICS reiteraram o desejo de intensificar colaborações multilaterais por meio de aplicações espaciais e uso pacífico do espaço. Ficou estabelecido no item 59 da 9ª Cúpula que a prioridade deve ser conferida à garantia de sustentabilidade de longo prazo das atividades no espaço exterior, bem como as formas e meios de preservar o espaço exterior para as gerações futuras.
A preservação do espaço é um dos objetivos da atual agenda do Comitê das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Exterior (UNCOPUOS, na sigla em inglês). A decisão do Grupo de Trabalho do Subcomitê Científico e Técnico do UNCOPUOS sobre Sustentabilidade em Longo Prazo das Atividades do Espaço Exterior de concluir negociações e alcançar consenso sobre o conjunto completo de diretrizes para a sustentabilidade em longo prazo das atividades espaciais até 2018, foi comemorada, principalmente por coincidir com o 50º aniversário da primeira Conferência das Nações Unidas sobre a Exploração e o Uso Pacífico do Espaço Exterior (UNISPACE+50, na sigla em inglês).
Além da comitiva dos BRICS,  também  participarão do evento professores e pesquisadores da UnB, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e também do Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Coordenação de Comunicação Social – CCS

terça-feira, 19 de setembro de 2017

O papel das mulheres na história da ciência

El País, 17 de setembro de 2017

Em uma época em que a igualdade nos laboratórios está mais próxima, a cultura revisa o papel censurado das mulheres na história da ciência


No outono de 1940, enquanto o antissemitismo dava dentadas, Rita Levi-Montalcini (Turim, 1909-Roma, 2012) fabricava instrumentos artesanais para remontar em sua casa um laboratório onde pudesse continuar a pesquisa que as leis raciais de Mussolini haviam impedido. Ante cada bombardeio britânico, protegia sua vida tanto quanto a do microscópio binocular Zeiss que levava para o abrigo. Na montanha, onde se escondeu com sua família, peregrinou por granjas para conseguir ovos que lhe proporcionassem embriões para o experimento e comida para seu estômago, nesta ordem. E nem sequer foram as horas mais angustiantes que viveu durante a guerra, quando exerceu a medicina com enorme impotência diante da avalanche de mortos.

Anos depois, ao reviver aquelas horas para suas memórias Elogio da Imperfeição, afirmaria que seguiu adiante com seus trabalhos enquanto o mundo desabava graças “à desesperada e em parte inconsciente vontade de ignorar o que acontece, porque a plena consciência nos teria impedido de continuar vivendo”. Aqueles estudos desenvolvidos contra as circunstâncias acabariam em um descobrimento, o fator de crescimento nervoso (NGF, na sigla em inglês), que lhe daria o Nobel de Medicina em 1986.
Um assunto ao qual ela dedica duas singelas alusões em suas memórias. O importante estava em outra parte. No conselho que um colega lhe deu em um daqueles dias apocalípticos: “Não se dê por vencida. Monte um laboratório e continue trabalhando. Lembre-se de Cajal, e como na cidade sonolenta que deveria ser Valência em meados do século XIX, assentou as bases do que conhecemos do sistema nervoso dos vertebrados”.
Não se dar por vencida ainda que tudo, inclusive o contexto, a convidava a render-se. A chave que transforma em histórias épicas as trajetórias das mulheres que deram à ciência mais do que a ciência lhes reconhece reside em um heroico afã de superação. Em uma inteligência de grande porte protegida por uma couraça firme para sobrepor-se às vaias, provocações, exploração salarial e apropriação indevida de suas ideias. Contra a visão de que a ciência era um reduto de homens, emergem cada vez mais biografias e filmes dessas aventureiras do conhecimento (desde 2009, Alexandria, Jane’s Journey, Temple Grandin, Estrelas Além do Tempo e Marie Curie).
Poucas, sim. Mas tão silenciadas que não existiam até que nas últimas décadas, acompanhando a irrupção em massa de mulheres em laboratórios e o impulso dos estudos de gênero, aflorou uma releitura que põe algumas coisas (e pessoas) em seu devido lugar: desde a paleontóloga Mary Anning (1799-1847), que renovou o conhecimento da pré-história com suas descobertas de fósseis de dinossauros (e silenciada por ser mulher, pobre e não anglicana, na ordem que quiser), até a matemática Ada Lovelace (1815-1852), considerada precursora da programação informática.
Claro que se o Nobel é o auge para se mediar a excelência, somente 48 mulheres tocaram o céu. Um ínfimo 5% dos 881 premiados (excluídos os organismos) desde que os prêmios foram concedidos pela primeira vez em 1901. As estatísticas nacionais na Espanha também não convidam à diversão: os principais prêmios científicos concedidos até 2015 no país (Princesa de Astúrias, Nacionais, Jaime I e Frontera-­BBVA) foram para homens em 89% das ocasiões, segundo dados da Associação de Mulheres Pesquisadoras e Tecnólogas (AMIT, na sigla em espanhol).
As premiações não resistem a uma revisão crítica de sua história. A trajetória do Nobel está repleta de pegadas sexistas. Três exemplos. A austríaca Lise Meitner, apesar de seu papel no descobrimento da fissão nuclear, foi excluída em 1944 do Nobel de Física, entregue a seu colaborador ­Otto Hahn (outra alegria que a judia Meitner somava, depois de ter fugido da Berlim nazista). Rosalind Franklin e sua famosa Fotografia 51, em que se aprecia a dupla hélice do DNA pela qual entrariam para a história James Watson, Francis Crick e Maurice Wilkins, que se valeram da imagem sem reconhecerem sua autora. Ou a irlandesa Jocelyn Bell, que descobriu os pulsares com 24 anos, enquanto realizava seu doutorado. Tanta precocidade perturbou a Academia, que concedeu o Nobel a seus superiores.
Rita Levi-Montalcini.ampliar foto
Rita Levi-Montalcini.
A este resgate histórico se soma agora a exposição Mujeres Nobel (Mulheres Nobel), em Madri, dedicada a algumas das ganhadoras. Uma lista inaugurada por Marie Curie em 1903 e, por enquanto, fechada em 2015 pela jornalista bielorrussa Svetlana Alexiévich (Literatura) e a cientista chinesa Youyou Tu (Medicina). Por trás de cada história costumam coincidir a vontade, a modéstia e o humanismo. Se Levi-Montalcini exerceu a medicina clandestinamente durante a Segunda Guerra Mundial, Marie Curie (Nobel de Física e Nobel de Química) criou um serviço móvel de atendimento radiológico, os petit curie, para facilitar a extração de estilhaços dos feridos na Primeira, ajudada por sua filha Irène, futura Nobel de Química em 1935. “Preocupada com a possibilidade de que alguma vez o motorista não estivesse disponível, aprendeu a dirigir e também a mecânica imprescindível”, contam na biografia Ella Misma (Ela mesma) Belén Yuste e Sonnia L. Rivas-Caballero, também organizadoras da exposição, realizada pelo Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC, na sigla em espanhol) e o Museu Nacional de Ciências Naturais da Espanha.
Marie Curie é provavelmente a cientista mais admirada. Foi também uma das mais atacadas por sua vida pessoal (sua suposta relação, já viúva, com Paul Langevin, que era casado), utilizada pela imprensa sensacionalista com a sanha das redes sociais de hoje. O mito Curie, no entanto, enfrentou tudo, inclusive a abertura das portas do Panteão dos Homens Ilustres da França, em 1995. Um modelo que levou a menina Joaquina Álvarez a saber o que iria fazer no futuro: “Me deram de presente um livro sobre ela e disse para mim mesma: ‘Eu quero fazer isso, saber como funciona o mundo’. E mais ou menos consegui, mas sempre fui minoria. E quando se é minoria, não te escutam, te ignoram, e quase sempre se está sozinha”. A geóloga Álvarez, que pesquisa em Taiwan os processos que influenciam na formação de cordilheiras, preside a AMIT, a organização que desde 2002 luta por uma ciência livre de discriminação. E, apesar de haver sinais otimistas –tantas mulheres quanto homens lendo teses–, se mantém o predomínio masculino no topo da carreira científica espanhola.
Na Europa se aponta o ano 2000 como divisor de águas. Foi apresentado naquele ano o estudo ETAN sobre Mulheres e Ciência, um alarmante levantamento sobre a desigualdade nos países da Comunidade Europeia. “A desigualdade de gênero afeta o PIB. Uma sociedade não pode permiti-la, como também não se pode permitir a escravidão, porque significa perder talento”, afirma Pilar López Sancho, presidenta da Comissão Mulheres e Ciência do CSIC. Em 2015 promoveu a entrega da medalha de ouro do organismo a Jocelyn Bell, a descobridora dos pulsares. Pensou que era a primeira a recebê-la. Seu estupor foi maiúsculo ao descobrir que havia um precedente que não conhecia. “A primeira a receber a medalha fora Rita Levi-Montalcini, mas, em vez do salão de eventos, foi em uma salinha pequena e não tiraram fotos. Passou desapercebido. É o cúmulo que lhe deem essa medalha e que não se saiba”.
Youyou Teu.
Youyou Teu.
A jornalista Dava Sobel reconstruiu em The Glass Universe (O Universo de Vidro) a insólita experiência do Observatório de Harvard, que em 1893 alcançava a paridade: 42,5% dos auxiliares eram mulheres. Até aí tudo bem. “Às vezes me sinto tentada a abandonar e deixar que algum homem faça o meu trabalho, para que assim percebam o que estão obtendo comigo por 1.500 dólares por ano, comparado com os 2.500 que recebe qualquer outro auxiliar (homem). Já pensou alguma vez que tenho um lar a manter e uma família a cuidar assim como os homens?”, se queixava Williamina Fleming, uma escocesa que entrou como servente na casa do diretor do Observatório, Edward Pickering, e acabou como conservadora oficial de fotografias astronômicas de Harvard.
Além da cumplicidade de Picke­ring, as pesquisadoras se beneficiaram de outra circunstância: o financiamento do Observatório dependia da filantropa Anna Palmer Draper, viúva do astrônomo Henry Draper. Para a história também ficou constando o incômodo que as astrônomas suscitavam no presidente de Harvard: “Sempre pensei que o cargo da senhora Fleming era um tanto anômalo e seria melhor não convertê-lo em uma prática regular outorgando a suas sucessoras o mesmo cargo”.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Cemaden coordenará discussões em dois temas do II Congresso Brasileiro de Redução de Risco e Desastres

Cemaden, 12 de sembro de 2017

Causas dos riscos de desastres, aumento da vulnerabilidade e discussões sobre Educação, sustentabilidade e resiliência são os temas que serão coordenados, em duas mesas-redondas, por pesquisadores do Cemaden, nas abordagens sociológica, antropológica e educacional.
O II Congresso Brasileiro de Redução de Riscos e Desastres (RRD), a ser realizado no período de 10 a 14 de outubro, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), na capital do estado, contará com duas mesas-redondas coordenadas por pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres  Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.
O objetivo do congresso é promover o intercâmbio de informações e experiências entre as instituições públicas e privadas, universitárias ou institutos de pesquisa, empresas privadas e instâncias governamentais das áreas afins, entre outros, por meio de palestras, oficinas, feiras, apresentação de trabalhos científicos, tendo como referência o marco de Sendai.
Organizado por diversas instituições acadêmicas e outras relacionadas ao tema redução de riscos de desastres (RRD), o Cemaden tem a participação na comissão científica do congresso, representada pelos pesquisadores Leonardo Bacelar Lima Santos, Sílvia Midori Saito e Victor Marchezini. O evento tem a finalidade de implementar parceria para propor soluções sobre a temática RRD, fomentando a inovação nas instituições por meio da cooperação, pesquisa e desenvolvimento tecnológico e auxiliar na tomada de decisões e orientações de pesquisas em áreas afins.
Mesa-redonda para debates sobre o aumento da vulnerabilidade e dos eventos extremos
A mesa temática “ Desenvolvimento e construção de riscos de desastres: causas de fundo, pressões dinâmicas e intensificação da vulnerabilidade ” será coordenada pelo sociólogo e pesquisador do Cemaden, Victor Marchezini, em parceria com os pesquisadores Teresa Rosa (Núcleo de Estudos Urbanos e Socioambientais, Universidade Vila Velha -ES) e Alonso Brenes Torres (Faculdade Latinoamericana de Ciências Sociais – FLACSO).
“A mesa de trabalho visa promover o debate sobre experiências latino-americanas de pesquisas voltadas para a grande área da RRD no recorte interdisciplinar.” ,explica o pesquisador Marchezini e complementa : “ Essas pesquisas  procuram compreender as relações envolvidas entre modelos de desenvolvimento e geração de riscos de desastres, identificando suas regularidades, dinâmicas de transformação e desafios associados à redução de vulnerabilidades”.
Visando criar as bases para um projeto em rede que promova o diálogo e o apoio a pesquisas sobre este tema da mesa de trabalho, os coordenadores da mesa-redonda lançaram uma chamada para debatedores e pessoas interessadas no tema.  A chamada para debates e informações dessa mesa-redonda estão disponibilizadas no endereço: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeLuxurXojx-tjoMbNM7reYhKheiIiVrljnMthiIjOGXldSXw/viewform
Conscientização pública sobre a prevenção de riscos de desastres
 A mesa-redonda “Educação, Sustentabilidade e RRD” será composta por profissionais com experiência em Educação em redução de riscos de desastres (RRD). A abordagem mais ampla será centrada nas pessoas para prevenir os riscos de desastres, com base nas recomendações do Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR, sigla em Inglês),  promovendo estratégias nacionais para reforçar a educação e a conscientização sobre a redução do risco de desastres.
Nessa mesa temática, os coordenadores da proposta são a coordenadora do Projeto Cemaden Educação, antropóloga Rachel Trajber, o pesquisador prof. Masato Kobiyama, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Victor Marchezini, pesquisador do Cemaden.
A pesquisadora do Cemaden, Rachel Trajber, lembra que – as recomendações e estratégias para se criar uma cultura de resiliência e sustentabilidade por meio da Educação, em todos os níveis – já foram estabelecidas em documentos internacionais, assinados pelo Brasil, além dos instrumentos legais e normativos nacionais para a atuação nesse campo também são desenvolvidos no país.  “Os Marcos de Ação de Hyogo (2005-2015) e o de Sendai (2015-2030), por exemplo,  definem  as prioridades para as ações, envolvendo crianças e jovens como agentes de mudança e na contribuição para a redução do risco de desastres, de acordo com a legislação, práticas e currículos da educação nacional.”, enfatiza a pesquisadora do Cemaden.
Para compor a mesa “Educação, Sustentabilidade e RRD”  foram convidados especialistas, que atuam em projetos de Educação para a RRD, em diversas localidades do país. Além da participação do Cemaden e da UFRGS,  compõem a mesa representantes da  Universidade Federal do Rio de Janeiro; da Universidade Federal Fluminense – Campus Niterói; da Secretaria do Estado de Educação de São Paulo. Dentre os participantes da mesa haverá um jovem brasileiro que é ponto focal do United Nations Major Group for Children and Youth (UNMGCY).
Informações e programação do II Congresso Brasileiro de Redução de Risco de Desastres estão disponibilizados no site :  http://www.cbrrd.com.br/programacao