segunda-feira, 27 de março de 2017

Estudantes se preparam para a Olimpíada Brasileira de Física com aulas no CBPF, no Rio de Janeiro

AEB
24 de março de 2017

Primeira fase da OBF acontece no dia 8 de maio - Crédito: CBPF

São 129 alunos do 9º ano do ensino fundamental e do ensino médio, de escolas públicas e particulares, participando das aulas realizadas no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, em parceria com a UFRJ. Objetivo é divulgar a ciência e motivar os jovens a ingressar nas carreiras científicas. Curso acontece aos sábados, até outubro deste ano.

Estudantes que vão disputar a Olimpíada Brasileira de Física (OBF) contam com o reforço do curso preparatório oferecido pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Para o curso, foram selecionados 129 alunos do 9º ano do ensino fundamental e do ensino médio. Do total, 25% são de escolas públicas. As aulas serão realizadas todos os sábados até outubro deste ano. 

"É uma atividade fundamental para divulgar ciência, em especial, a física para os jovens, com o intuito de motivá-los a optar futuramente por carreiras científicas", disse o pesquisador João Paulo Sinnecker, coordenador da pós-graduação do CBPF.
"O objetivo é ajudar na preparação dos alunos paras as provas da OBF, divulgar as pesquisas na fronteira da física e, com isso, atrair jovens talentos para as ciências exatas", completou o pesquisador Rodrigo Capaz, da UFRJ.

Segundo ele, o projeto da ‘Equipe UFRJ-OBF' começou no ano passado como um projeto-piloto, só com alunos do 2º ano do ensino médio. "Para este ano, conseguimos um financiamento da Fundação Lemann, o que nos permitiu ampliar o projeto. Surgiu também a ideia de realizar as atividades aos sábados, estabelecendo uma parceria com o CBPF", explicou Capaz.

OBF

Realizada desde 2006 pela Sociedade Brasileira de Física, a OBF tem como objetivos despertar e estimular o interesse pela física, proporcionar desafios, aproximar as universidades do ensino médio e identificar grandes talentos em física, preparando os estudantes para as olimpíadas internacionais e estimulando o ingresso nas carreiras científicas e tecnológicas. As inscrições devem ser feitas pelas escolas até 8 de maio, sendo que a primeira das três fases da competição será realizada nas próprias escolas no dia 8 de maio. A OBF tem o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Saiba mais.

Engenheiro colabora no processo de montagem e integração do SGDC

AEB
23 de março de 2017



Formado pela Universidade de Brasília (UnB) em Engenharia Mecânica, com mestrado em Ciências Mecânicas, Cristiano Vilanova foi um dos técnicos que participou da montagem e integração técnica do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), em Cannes, na França.

Entre idas e vindas, Cristiano ficou cerca de dois anos em Cannes. Ele conta que acompanhou todas as fases e etapas do satélite, dando ênfase para a de seu domínio, ou seja, a parte de integração mecânica, “Eu espero ser capaz de fazer tudo que diz respeito à montagem e integração”.

“A montagem é simplesmente colocar os equipamentos nos lugares, já a integração garante o funcionamento dos equipamentos. Além de fixar os equipamentos, você tenta garantir a conexão com as outras partes do satélite para evitar danos em alguma peça. Se tudo estiver correto, o satélite está integrado. Todo equipamento tem um critério de integração”, ressalta o engenheiro.

O conhecimento adquirido no programa de absorção e transferência de tecnologia não ficou restrito ao SGDC, mas também poderá ser aplicado à construção de outros satélites. Cristiano revela: “São vários os requisitos que precisam ser demonstrados, como a questão da internet, na área militar. Aí entram os testes. À medida que o equipamento vai sendo montado vai se antecipando os testes”.

Ele afirma que a ideia é aplicar esses conhecimentos que adquiriu em futuros projetos de satélites brasileiros. “A Agência Espacial Brasileira (AEB) está com uma filosofia de desenvolvimento de microssatélite. A ideia é elaborar um plano de integração para esse satélite. Sair da área burocrática e desempenhar um trabalho mais técnico”, finaliza o engenheiro.

Com 5 metros de altura e pesando 5,8 toneladas, o SGDC é um projeto do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e Ministério da Defesa.  O satélite ficará posicionado a uma distância de 36 mil quilômetros da Terra, cobrindo todo o território nacional e parte do oceano Atlântico. Ele vai operar nas bandas X e Ka, destinadas respectivamente ao uso militar — que representa 30% da capacidade total do equipamento — e ao uso cívico-social, provendo banda larga às regiões mais remotas do Brasil – que representa os outros 70% da capacidade total do satélite.

Engenheiro da AEB desenvolve método que aumenta tempo de vida do SGDC

AEB
23 de março de 2017

Foto: Thales Alenia
O engenheiro mecânico Erlan Cassiano, da Agência Espacial Brasileira (AEB), constatou que o volume adicional do tanque de combustível do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), prestes a ser lançado ao espaço, em Kourou, na Guiana Francesa, poderia aumentar em até seis meses a vida do satélite.

Cassiano faz parte do seleto grupo de profissionais enviado a Cannes, na França, que integrou o processo de absorção e transferência de tecnologia firmado com a Thales Alenia Space e o governo brasileiro para capacitação de técnicos.

Erlan ficou dois anos e oito meses em Cannes. Após a seleção interna feita pela AEB, ele fez os cursos iniciais e avançados ministrados pela Thales, os quais nivelaram todos os candidatos selecionados.

“Cada candidato foi trabalhar na área de seu interesse, supervisionado por um coach que fazia a interface entre a Thales e o grupo de absorção de tecnologia. Eu fui para a área de propulsão de satélite, já trabalhava com isso nos laboratórios da UnB, mas ainda não tinha experiência com propulsão satelital”, disse.

“O tempo de vida do satélite é limitado pela quantidade de combustível que é colocada em órbita. Erlan observou que uma pequena margem de volume de combustível não era considerada adequadamente pela metodologia de carregamento do tanque. O tanque tem a espessura muita fina, o combustível fica pressurizado, e com isso o tanque se expande. Isso permite a colocação de um volume adicional”, afirmou o engenheiro formado pela Universidade de Brasília (UnB).

“Cada candidato foi trabalhar na área de seu interesse, supervisionado por um coach que fazia a interface entre a Thales e o grupo de absorção de tecnologia. Eu fui para a área de propulsão de satélite, já trabalhava com isso nos laboratórios da UnB, mas ainda não tinha experiência com propulsão satelital”, disse.

“Em Cannes aprendi como especificar equipamentos, quando um satélite vai para o espaço, bem como sua posição ideal, aprendi fazer correções ao longo da vida do satélite, por causa do sol, da lua e da própria gravidade da terra. Para acertarmos todos esses fatores temos que usar o sistema de propulsão. No caso do SGDC são utilizados um combustível e um oxidante, temos que prever tudo para o sistema funcionar bem ao longo dos 15 anos de vida”, ressaltou.

“Uma das minhas principais tarefas lá era avaliar a performance do satélite ao longo da vida. Tive que avaliar a vida útil do satélite como ia ser a pressão, a performance dos propulsores, a variação de temperatura e a medição do combustível”, concluiu. O método sugerido por Erlan foi levado à empresa, a sugestão foi validada e incorporada ao projeto.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Atenção: SGDC tem nova data de lançamento - 23/03

Redação
22 de março de 2017

Foto: Thales Alenia

Infelizmente, foi alterada novamente a data do lançamento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação (SGDC), que estava programado para hoje, 22/03. No site da Arianespace, empresa responsável pelo lançamento do satélite, as informações contidas dão conta de que a prorrogação ocorre devido a não possibilidade de transportar o foguete --já integrado com as cargas úteis --do prédio de integração até a plataforma de lançamento,devido a uma greve dos funcionários do Centro de Lançamento de Kourou (Guiana Francesa), que se estende já por alguns dias.
A próxima previsão de lançamento --caso o movimento de greve termine-- é para esta quinta-feira, 23/3, dentro da janela de lançamento, que vai das 17h31 às 20h20 (horário de Brasília).

Estudo do MCTIC propõe medidas para cumprimento das metas do Acordo de Paris

MCTIC
22 de março de 2017



O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) preparou um estudo para subsidiar a estratégia brasileira para a implementação da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) apresentada pelo país no âmbito do Acordo de Paris. O documento aponta o papel que cada setor econômico pode desempenhar para o cumprimento das metas de redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) para 2025 e 2030. Os dados foram obtidos a partir do Projeto "Opções de Mitigação de Emissões de GEE em Setores-Chave no Brasil", uma iniciativa executada em parceria com a ONU Ambiente.

Os dados mostram que a adoção de atividades de baixo carbono no sistema energético, se ampliada, contribuiria para a redução de emissões de cerca de 60 e 210 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (MtCO2e) em 2025 e 2030, respectivamente. Essas atividades contemplam, por exemplo, medidas de eficiência energética, cogeração de energia e aproveitamento de biogás. Segundo o estudo do MCTIC, os setores Energético, de Gestão de Resíduos e Industrial apresentam os potenciais mais relevantes.

Para o setor de Agricultura, Florestas e Usos do Solo (Afolu), os valores de mitigação seriam de 11 MtCO2e, em 2025, e 157 MtCO2e, em 2030. Para isso, é necessário expandir o plantio de florestas comerciais, os sistemas integrados de cultivo e plantio direto e o aporte de nitrogênio via fertilização biológica, além de reduzir ainda mais o desmatamento e ampliar as ações de restauração florestal e a estratégia de confinamento na bovinocultura de corte.

Os resultados do estudo revelam ainda que a implementação dos cenários de baixo carbono causaria pouco impacto, em nível agregado, nos indicadores de Produto Interno Bruto (PIB) e de geração de emprego e renda.

Acordo de Paris

Aprovado durante a 21ª Conferência das Partes (COP21) no âmbito da UNFCCC, em dezembro de 2015, o Acordo de Paris estabelece a adoção de medidas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, com o objetivo de conter o aumento da temperatura média global em menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais, além de envidar esforços para limitar esse aumento a 1,5°C.

Em setembro de 2016, o Brasil depositou o instrumento de ratificação do acordo, que passou a vigorar no plano internacional dois meses depois. No documento, o país assumiu o compromisso de adotar medidas para redução de emissão de gases por meio da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC).

A NDC brasileira contém o compromisso de reduzir as emissões de GEE em 37% em 2025 e 43% em 2030, tendo por referência o ano de 2005, o que equivale a um teto de emissões de 1.300 e 1.200 MtCO2e em 2025 e 2030, respectivamente.
A contribuição do MCTIC para a estratégia brasileira de redução das emissões de gases está disponível para download. Clique aqui

Satélite Geoestacionário será lançado ao espaço nesta quarta-feira (22)

AEB
22 de março de 2017



O lançamento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) ao espaço foi remarcado para quarta-feira (22) devido a uma greve geral que atinge a Guiana Francesa.

Os horários e a programação do lançamento estão mantidos para quarta-feira. A janela para que o satélite brasileiro seja enviado ao espaço fica aberta entre às 17h31 e às 20h20, no horário de Brasília.

O satélite

O SGDC é o primeiro satélite geoestacionário brasileiro de uso civil e militar. Adquirido pela Telebras, o equipamento tem uma banda Ka, que será utilizada para comunicações estratégicas do governo e para ampliar a oferta de banda larga no país, especialmente nas áreas remotas, e uma banda X, que corresponde a 30% da capacidade do satélite, de uso exclusivo das Forças Armadas.

Com 5,8 toneladas e 5 metros de altura, o satélite ficará posicionado a uma distância de 36 mil quilômetros da superfície da Terra, cobrindo todo o território brasileiro e o Oceano Atlântico. A capacidade de operação do SGDC é de 18 anos.

Além de assegurar a independência e a soberania das comunicações de defesa, o acordo de construção do satélite envolveu amplo processo de absorção e transferência de tecnologia, com o envio de 50 profissionais brasileiros para as instalações da Thales Alenia Space, empresa responsável pela construção do equipamento, em Cannes e Toulouse, na França. São especialistas da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entidades vinculadas ao MCTIC, além das empresas Visiona e Telebras.

Produção dos painéis de bateria do SGDC teve participação de brasileiro

AEB
22 de março de 2017



Ronne Toledo faz parte do time de engenheiros brasileiros que integrou o processo de absorção e transferência de tecnologia do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Ele atuou na produção dos painéis estruturais do módulo de serviço, mais especificamente dos painéis de bateria — em conjunto com a empresa Cenic — o que foi, para ele, a contribuição mais prazerosa no desenvolvimento do satélite.

Durante o tempo que ficou em Cannes, na França, Toledo participou do pacote de serviço de Engenharia de Sistemas. “Passamos por uma fase de treinamento inicial com cursos básicos oferecidos a todos e, em uma segunda fase, participamos de cursos específicos associados ao pacote de trabalho ao qual havíamos sido designados”, afirma o doutor e mestre em Engenharia Mecânica.

Ao final desse treinamento, que durou cerca de três meses, o grupo brasileiro foi integrado à equipe de funcionários da Thales, empresa contratada para a construção do satélite. Neste período, a equipe contava com um tutor, engenheiro da Thales, que era responsável em distribuir e acompanhar o cumprimento das tarefas.

Sobre trabalhar na Thales, Toledo afirma que os franceses são profissionais de extrema eficiência e organização, além de um forte senso de trabalho em equipe, apresentam comprometimento e responsabilidade muito sérios com o trabalho.

Para ele, precisamos apenas absorver um pouco dessa postura profissional francesa, de eficiência e organização. “Acho que com isso, o gigante brasileiro iria dar saltos largos em direção à ordem e ao progresso”, conta Toledo.

Foco – De volta ao Brasil desde novembro passado, Toledo conta que, com essa experiência, sua vida profissional se enriqueceu muito. “Antes eu tinha uma visão um pouco acadêmica do mundo, mas essa experiência me ajudou a ver o mundo com uma visão mais pragmática e focada no resultado ao invés da forma”.

Com o lançamento do satélite, o Brasil tem a chance de aumentar o nível técnico de alguns de seus funcionários e o conhecimento adquirido já está sendo replicado em um processo de capacitação interna. “Além do ganho técnico, a Nação brasileira ganhou com a sinergia e integração de funcionários de diferentes instituições nacionais que agora podem continuar trabalhando em projetos subsequentes”, ressalta Toledo.

O SGDC está previsto para ser lançado no dia 22 de março. Ele vai operar nas bandas X e Ka. A primeira representa 70% da capacidade total do SGDC e será usada para prover internet banda larga às regiões mais remotas do Brasil.  A banda X — os outros 30% — será destinada ao uso militar. Os benefícios indiretos do satélite talvez sejam imensuráveis: “Levar comunicação significa levar educação a distância, saúde, negócio e segurança. Significa levar à Nação aonde for necessário, significa inclusão social” finaliza Toledo.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Estudo busca identificar novo padrão de transmissão da malária

INPE
21 de fevereiro de 2017



Um modelo espacial para mapear causas ambientais e sociais da malária pode auxiliar a definir as áreas de potencial risco da doença. O sistema foi desenvolvido no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) como parte da tese de doutorado de Jussara Rafael Angelo em Ciência do Sistema Terrestre. 

No INPE, em parceria com a Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz) e Fiocruz-RO, a pesquisadora combinou dados de uso e cobertura da terra com informações demográficas e de saúde e, assim, conseguiu identificar e explicar o novo padrão de transmissão de malária que se estabeleceu em Porto Velho, capital de Rondônia.

Em artigo publicado nesta terça-feira (21/2), Jussara Angelo mostra que Porto Velho apresenta alto risco para a malária e desempenha papel importante na disseminação do parasita para outros municípios da Amazônia e até para áreas não endêmicas do país. 

Segundo o estudo, a migração continua a ser fator importante para a ocorrência da malária. No entanto, devido às recentes mudanças na ocupação humana da Amazônia brasileira, caracterizada pela intensa expansão das redes de transporte, a mobilidade pendular também se tornou decisiva para a transmissão da doença. 

“A grande contribuição do trabalho está em mostrar que este novo padrão de transmissão é explicado pela vulnerabilidade resultante de novos processos de produção centrados nas relações de trabalho precário, mobilizando trabalhadores suscetíveis residentes nas periferias das cidades e os expondo a condições ambientais favoráveis à produção da doença, levando ainda à reintrodução da malária nas cidades. Esse padrão é bastante distante dos tradicionais modelos explicativos da transmissão da malária, atribuídos ao desmatamento, à migração interna encabeçada por fronteiras de expansão agrícola e grandes projetos de infraestrutura, como a construção de estradas e hidrelétricas na Amazônia”, explica a pesquisadora, atualmente na ENSP/Fiocruz, no Rio de Janeiro. 

Ela alerta que, nesse novo contexto de uma Amazônia muito mais integrada entre si e com o restante do Brasil, surge um novo padrão de transmissão da malária. “Os resultados do estudo são relevantes para redirecionar as ações de vigilância e controle da malária na Amazônia que estão diante de um verdadeiro desafio: possibilitar um diagnóstico e tratamento mais rápido do que a população consegue se movimentar pelo território", diz Jussara Angelo.

O professor da Pós-graduação em Ciência do Sistema Terrestre do INPE, Carlos Nobre, diz que o estudo mostra o poder de uma abordagem interdisciplinar para dar luz a um complexo problema de saúde. “Combinando dados epidemiológicos, socioeconômicos, de mobilidade e de malária para Porto Velho, permitiu-se a identificação de um novo modelo de transmissão da malária ligado à mobilidade dos trabalhadores no município", conclui Carlos Nobre, que orientou o trabalho. 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Estudantes brasileiros contam expriência de cursar mestrado na China

AEB
17 de fevereiro de 2017

Foto extraída do site da AEB

Quatro engenheiros brasileiros, três graduados pela Universidade de Brasília (UnB) e um pela Universidade Estadual de São Paulo (Unesp/Guaratinguetá) cursam desde setembro de 2015, um mestrado na área espacial na Beihang University of Aeronautics and Astronautics (BUAA), na China.  Lá eles participam da construção do microssatélite BUAASat, que será lançado em órbita baixa a 600 km da terra, com a missão de fazer o sensoriamento remoto de algumas regiões do país, além de tirar fotos de detritos espaciais.

O programa de bolsas de mestrado é patrocinado pelo Centro Regional para Ciência Espacial e Educação Tecnológica na Ásia e no Pacífico (RCSSTEAP – China). Os estudantes, Felipe Iglesias, Renan Felipe Nogueira, Pedro Henrique Nogueira e Audrey Rodrigues Siqueira foram selecionados, pelo Master Program on Space Technology Applications Global Navigation Satéllite Systems (GNSS). Todo o processo de seleção contou com a intermediação e apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Para os estudantes, o intercâmbio que fizeram no programa Ciências sem Fronteiras, Renan Felipe, em Lisboa, Felipe Iglesias na Normandia, Pedro Henrique na Escócia e Audrey na Alemanha, os ajudou a tomarem a decisão de fazer um mestrado na China e buscar novas oportunidades em um país de cultura tão diversa. O processo de seleção com a participação de 14 candidatos inscritos ocorreu em duas etapas, a inscrição, feita no site do programa, e uma entrevista, via internet, realizada por dois professores da Beijing University.

Felipe Iglesias, 28 anos, paulista de Araçatuba, formado em Engenharia Eletrônica pela UnB, foi selecionado para o mestrado em Sensoriamento Remoto e Sistema de Geo-Informação (RS&GIS) e Pedro Henrique e Renan Felipe, graduados em Engenharia de Energia, estudam Tecnologia de Microssatélites. O mestrado tem duração de um ano e nove meses, sendo que alguns deles estarão de volta em julho deste ano.

Oportunidades

Para Iglesias, o mestrado é uma ótima oportunidade de crescimento pessoal e profissional. “Além de aprender outra língua e vivenciar nova cultura, pretendo ampliar meus horizontes com essa experiência, pois no retorno ao Brasil quero trabalhar e contribuir com o desenvolvimento do setor espacial”, disse.

Já Renan Felipe conta que com dez meses no país oriental já teve uma base teórica e prática bastante significativas, principalmente na área de construção de satélites. “Agora estou focado no desenvolvimento da tese voltada para integração e testes na parte elétrica e eletrônica de todos os subsistemas. Vou tentar automatizar todo esse processo para torná-lo mais eficiente, e com isso reduzir os custos”, afirmou.

Como engenheiro de energia tenho acesso à parte solar do satélite. Trabalhar com energia solar está sendo ótimo, além de abrir um leque de oportunidades não apenas no Brasil, estudar na China abre oportunidades no mundo inteiro.

Segundo os estudantes, a oportunidade de cursar um mestrado na China os fez crescer não só profissionalmente, mas também culturalmente. “Desenvolvi minhas habilidades interpessoais, tentei estar inserido em uma empresa no contexto internacional e vou levar essa experiência para o Brasil”, ressaltou Felipe Iglesias. Sua contribuição para o Brasil deve ser adiada mais um pouco, no fechamento dessa matéria, ele nos informou que surgiu uma oportunidade de trabalho que talvez o leve para outro país. A proposta não está relacionada à área espacial, mas o mestrado contribuiu muito para receber esse convite, concluiu.

Renan Felipe ressalta que o mestrado entrou na fase de produção da tese sem muitos cursos para fazer, mas com prazo para entrega de relatórios e andamento da produção. Ele aproveita e manda uma mensagem aos colegas brasileiros: “Espero que a nossa experiência de sucesso na China ajude a quebrar o tabu em relação ao país e a acabar com o medo de os candidatos virem para cá. Aproveitem essa oportunidade”, concluiu.

Na próxima reportagem vocês vão conhecer a experiência dos engenheiros Pedro Nogueira e Audrey Siqueira, que também estão na China.

Interessados em participar do mestrado acesse o  link:

Na Guiana, SGDC passa por testes antes do lançamento

AEB/MCTI
17 de fevereiro de 2017

Foto: Visiona

O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) já está no Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa, onde passará por uma fase de testes até a véspera do seu lançamento, previsto para 21 de março. O equipamento chegou à Guiana Francesa na terça-feira (14), depois de deixar a cidade de Cannes, na França, onde foi construído pela empresa Thales Alenia.

O primeiro satélite geoestacionário do Brasil terá uso civil e militar. O equipamento vai ampliar a oferta de banda larga em todo o território nacional, principalmente em regiões remotas do país, e garantir a segurança das comunicações na área de defesa.

Segundo o gerente de Satélites da Telebras, Sebastião Nascimento, que acompanhou a chegada do SGDC ao Centro Espacial de Kourou, nas próximas semanas, vários testes serão feitos para verificar as condições do SGDC e se a viagem causou algum dano ao equipamento. “Estamos trabalhando das 6 horas da manhã até 22 horas. Tudo está correndo bem, sem problemas, mas precisa ser checado”, revela.

Ele acrescenta que o satélite está dentro de uma “sala limpa”, onde não entra poeira nem resíduos, e o acesso dos técnicos deve ser feito usando roupas especiais. Nesse local, as equipes testam o sistema de comunicação, de movimentação e os sensores do artefato, por exemplo. Ao todo, a fase de pré-lançamento do SGDC envolve cerca de 200 pessoas. Depois de encerrada essa etapa, o satélite será levado para outra sala para ser inserido na cápsula do lançamento.

Transporte

O transporte do satélite teve início na segunda-feira (13), quando foi embarcado no Aeroporto de Nice, na França, com destino a Kourou, na Guiana Francesa. A bordo do avião russo Antonov, com alta capacidade de carga, o equipamento chegou na madrugada de terça-feira (14) à Guiana, depois de oito horas de viagem.

Em outra operação que levou cerca de 12 horas, o artefato foi retirado da aeronave e levado do aeroporto de Caiena até o Centro Espacial de Kourou, em um trajeto de 60 quilômetros. No local, o satélite foi retirado do contâiner, desembrulhado e colocado em uma sala, onde agora passa por uma série de testes.

Parceria

O Satélite Geoestacionário é uma parceria entre o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e o Ministério da Defesa, e conta com investimentos no valor de R$ 2,1 bilhões e tempo de operação de aproximadamente 18 anos. O processo de construção e lançamento do SGDC também envolve engenheiros e especialistas da Telebras e da Agência Espacial Brasileira (AEB) – ambas entidades vinculadas ao MCTIC –, além da Visiona.

O satélite deverá ser lançado por volta das 17 horas do dia 21 de março. Com 5,8 toneladas e 5 metros de altura, o equipamento ficará posicionado a uma distância de 36 mil quilômetros da superfície da Terra, cobrindo todo o território brasileiro e o Oceano Atlântico.

Foto: Satélite Geoestacionário chegou à Guiana Francesa na terça-feira (14), depois de deixar a cidade de Cannes, na França, onde foi construído.